quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Despida de Solteiro - "eiiiii eu quero sexo"




Como esse é um espaço que além de alguns devaneios, textos sobre educação, ideias de filósofos, também gosto desse espaço para algumas reflexões que não tenho a pretensão de que todos possam concordar, porém não tenho como deixar de falar de um assunto que me incomoda profundamente, a atual "Música Popular Brasileira".
Tive o privilégio de ser criado com muita música boa, diariamente, desde Paralamas, Titãs, Legião, Cazuza, até Vinícius de Moraes, Caetano, Chico, Toquinho, claro que não faltaram as influências do Rock and Roll, brasileiro e também os estrangeiros, mas aqui gostaria de falar mais particularmente da música brasileira. 
Gostaria de antes de tudo dizer que não tenho nada contra as preferências musicais de cada um, mas se até mesmo o "Mr Catra" sente-se levemente incomodado ao ver suas sei lá quantas filhas dançando, cantando e até mesmo em um baile funk que tenham suas músicas, não serei eu quem irá achar a letra tão melódica certo? 


Ou então o que diremos sobre as mulheres saladas de fruta que enriquecem cada vez mais a harmonia e a melodia da nossa MPB? 
O que você, mulher que defende os direitos iguais entre homens e mulheres, acham que isso é uma forma de se igualar? 

 

Mas fiquem tranquilos, pois se você acreditava que tudo estava perdido, chegou nosso querido Latino, "chutando o balde". 
"Eiiiiiiiiiiiiiiiiiiii eu quero sexo"!!! Em sua incrível música "Despedida de Solteiro".

 

Já havia pensado em escrever sobre essa música e exatamente no dia em que pensava, ouvi na rádio Jovem Pan, no programa Pânico, que o convidado era nada mais do que ele, Latino, que como forma de "defesa" teve a capacidade de dizer que "nem Deus agradou a todos, pois ainda foi crucificado". Meuuuu o que dizer de um cara desses não?!?! Ele não sabe nem o que fala.
Latino, só pra você saber, o crucificado foi Jesus, não Deus! :/ Mas tudo bem, o foco não é a ignorância do Latino.
Essa música, particularmente, tem alguns trechos "belíssimos": "Na balada só gostosas [...] As minas todas nuas", que bela visão sobre as mulheres, não?!?!
"Amanhã talvez, eu vá casar", ótima valorização sober o casamento.
"Eu tô chapado, tô muito louco", para concluir uma leve indução para o uso de álcool e outras "coisitas mais". 
Definitivamente o que você acha do seu filho, ou da sua filha curtindo uma balada com esse som?
Caso goste da ideia, aproveite, pois amanhã (28/09/2012) tem "Baile do Latino" aqui em Floripa e o melhor, ele vai gravar o clipe desse novo sucesso da nossa atual "Música Popular Brasileira".
Agora se você não gostou muito dessa ideia ficam ai algumas músicas para você ouvir e limpar a audição desses LIXOS anteriores! 
E acredite que vale muito mais cantar isso para os seus filhos! 



Que sei eu?



A velha máxima de Michael de Montaigne nos remete ao exercício de filosofar e estar questionando-se todo o tempo. Não existe uma chave para que as coisas possam ser decifradas, porém como as coisas funcionam?
A forma ensaística de Montaigne de escrever auxilia no processo de desconfiar daquilo que é afirmado e pré estabelecido. O autor relata que os professores de sua época (28 fevereiro de 1533 a 13 setembro de 1592), eram um tanto quanto pedantes, o questionar não era valorizado, mas e hoje? 
Em nossas salas de aula os estudantes são estimulados a questionar? 
O que dizer dos estudantes que dizem saber o que querem falar, mas não conseguem saber de que forma? Ou como expressar-se?
Sem saber as questões existentes em uma criança, o que podemos, ou de que forma poderemos auxiliar na formação humana? 
Será que dar voz para essas crianças não seria uma boa forma de saber quais caminhos seguir na educação?
Essas reflexões partem do texto de Divino José da Silva (UNESP) - "O Ensaio em Montaigne: Um Estilo em Filosofia da Educação", que foi comentado na disciplina de Seminário de Dissertação pela professora Lúcia Hardt, auxiliado pelas reflexões do capítulo XXVII - Ensaios, Livro I -  "Da loucura de opinar acerca do verdadeiro e do falso unicamente de acordo com a razão" e capítulo XXXI "Dos Canibais", ambos de Montaigne.
O ponto principal - porém longe de trazer respostas prontas, ou ainda prescrever algo exato - é continuar exercitando o "que sei eu?"
O exercício de não acreditarmos no primeiro instante em tudo aquilo que ouvimos ou ainda tentar analisar as coisas de um ponto de vista menos carregado de pré julgamentos torna-se fundamental em uma relação pedagógica.
Cabe nesse instante uma passagem do capítulo XXVII "aprendêssemos com exatidão a diferença entre uma coisa e outra, entre o que está contra a ordem e a natureza, e o que se situa simplesmente fora do que admitimos comumente, entre não acreditar cegamente e não duvidar com facilidade."
Ainda cabe lembrar outra passagem "a glória e a curiosidade são dois flagelos de nossa alma; esta nos impele a meter o nariz em tudo; aquela nos proíbe deixar seja o que for sem decisão ou solução", volta-se ao ponto de necessidade de questionar-se a todo tempo.   
Porém vale lembrar que em muitos momento as pequenas coisas - talvez o questionamento de uma criança - pode auxiliar em diversos momentos a aprendizagem, nos desprendando daquilo que consideramos maior - talvez o saber do professor. Como um embasamento para essa ideia utilizo as palavra de Divino José da Silva: "por que ler Montaigne, ainda hoje? (...)  Montaigne é comparado, por Renato Janine Ribeiro (2004, p. 221), a Pascal e Nietzsche, pois tem em comum com estes autores o aguçamento dos sentidos e da razão para "[...] agarrar o pequeno, o detalhe, a falha e a partir dele pensar. Não é pensar pela porta grandiosa, a do cânone, a do registro solene; é pensar pela porta vadia, pela exceção, pelo que é torto, pelo que foge ao cânome."
Não tendo a pretensão de escrever com prescrição, deixo a você leitor, ideias para pensar!





terça-feira, 18 de setembro de 2012

Estamos preparados para desconstruir?



Baseado na discussão da aula de Filosofia do mestrado, do texto de Jorge Luiz Viesenteiner (Dr. em Filosofia pela UNICAMP) "Aprender a ver, aprender a pensar, aprender a falar e escrever: condições integrantes do conhecimento de Bildung no crepúsculo dos ídolos de Nietzsche", me inspirei a escrever um breve texto.
Nem sempre aquilo que imaginamos é aquilo que acontece no seu final, não temos esse controle pleno dos resultados e da vivência que buscamos. Ao estarmos no meio do desejo acabamos ludibriados, deixando de ver aquilo que realmente é.
Surge, portanto, o espírito livre que enfrentaria o espírito cativo, ou seja, na necessidade de questionar-se sobre o que seria o bem e o mal, o forte e o fraco, o falso e o verdadeiro, quando muitas vezes acreditamos nisso ou naquilo muito mais por força de um hábito já existente, surgindo dessa forma a hipocrisia humana. Ao afirmar o caos e sua existência, a vida firmada pode ter mais valor do que a vida renunciada. 
O que queremos como professores? Formar seres humanos melhores, ou apenas formar seres humanos que "pensam melhor"? Ou ainda, o que seria um "ser humano melhor"? Colocar-se a prova para cultivar-se e formar-se não seria um caminho para torna-se melhor?
Ninguém planeja as dores, perder um amor, ter uma doença, perder o emprego, morrer, mas são processos necessários para compreender e saber como viver a vida, isso tudo faria parte do Pathos.
Todo esse movimento acontece devido a forma que aprendemos a ver, pensar, ouvir, falar e escrever. 
Para o verdadeiro ver, não pode existir a imediaticidade do momento, deve-se agir com paciência, compreendendo o que é posto, por mais que isso possa nos indignar, muitas vezes a atitude imediata nos devolve respostas não almejadas. Necessitamos um distanciamento do momento vivido para conseguir o discernimento para uma atitude, algo que talvez seja muito complexo em uma sociedade tão imediatista. 
O pensar faz parte do distanciamento, para uma nova reflexão, possibilitando nova análise e nesse ponto podendo ter um parecer mais consciente e talvez adequado. 
Ouvir, até mesmo o silêncio, aquilo que não está posto, ouvir o complementar, aquilo que não parece ser importante, pode ser a fonte para as respostas certas que precisamos dar. 
Posteriormente falar e escrever com prioridade, que seria a síntese de toda essa construção anterior, a interlocução entre o ver, pensar e ouvir. Já diria Nietzsche que toda a pressa é indecente. 
Percebe-se que muitas vezes ler um autor nos faz defendê-lo de todas as formas, porém é importante tentar compreender qual o ponto que ele necessita chegar para tal discussão, qual o contexto em que ele está inserido, deve-se suportar alguns pontos os quais julgamos insuportáveis, necessitamos desconstruir aquilo que já recebemos pronto para então conseguirmos chegar em uma nova reflexão. 
A tarefa não é simples e em muitos momentos não temos o discernimento para a compreensão, mas apenas a prática pode nos levar próximos da perfeição e a tarefa não poderia ser fácil, os caminhos nunca serão liso e retos, no momento em que as dificuldades surgem é que temos e podemos sentir o verdadeiro gosto de uma conquista.


Acredito que o texto analisado mostra alguns pontos importantes, os quais nos faz pensar qual realmente seria o papel do mestre. Criar seres humanos melhores? Tornar os seres humanos mais pensantes?
Mas o que seria melhor? O que é ser melhor?
Estamos preparados para o enfrentamento das decepções sem frustrações e sem culpa?
Somos seres minados de paciência, ou o excesso de velocidade e necessidades nos arrasta para um universo muito mais imediatista?
Somos suficientemente capazes de ter paciência para não termos reações imediatas à aquilo que ilustra nossa visão? Ou ainda sabemos dançar (pensar) sem seguir os passos pré estabelecidos?
Temos tempo suficiênte para ouvir o silêncio? Ou ainda conseguimos ouvir nossa própria voz?
Ou estamos adestrados a ouvir apenas aquilo que os outros já nos fala?
Até que ponto conseguimos nos permitir e ao mesmo tempo nos deixar perder o controle?
Toda a pressa é indecente, diria Nietzsche, mas hoje em dia quem não vive com pressa?  Quem não quer saber a última informação?
E quando não temos mais o controle, conseguimos lidar com a frustração? Ou isso nos deixa ainda pior?
A certeza nos enrigesse de tal forma que esquecemos o valor e o prazer de termos dúvidas, porém vivemos em um momento que para tudo temos uma certeza. O método tem uma forma de ser trabalhado, o professor tem um padrão para ser seguido, temos definida a idade em que podemos dirigir e a que podemos votar, regras, leis, ordens, condutas, traça a forma e o roteiro que devemos seguir, uma vez que a vida, a nossa vida, deveria ser levada do nosso jeito, mas onde está a liberdade que damos a nós mesmos?
Nietzsche, dito extemporâneo, já alertava da necessidade de não sermos imediatistas em nossas atitudes, o que ele diria hoje em uma sociedade, a qual o imediatismo é o padrão a ser seguido?
Talvez todas essas perguntas não tenham respostas, mas talvez essa seja a forma para "construirmos" seres humanos melhores.



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Reencontrando a Felicidade e o tijolo




Esse é o título de um filme que assisti uma parte esses dias.
Não vi inteiro, mas também não precisava para compreender o trama de que se tratava e ao mesmo tempo me chamou a atenção, pois o tema é muito "instigante", pelo menos para mim. O filme trata da morte, porém não uma morte qualquer, mas a tentativa de um casal superar a morte de seu filho de 4 anos.
Não tenho ideia do que é perder um filho, mas sei bem como é perder uma pessoa especial antes do tempo que julgamos suficiente (se é que existe um tempo suficiente antes de morrermos) para estarmos ao lado dela.
Desde do o ano de 2008, setembro passou a ser uma mês em alguns momentos triste, mas como diria uma parte do próprio filme, quando perdemos alguém querido é como se tivessemos um monte de tijolos caindo em cima de nós, aos poucos, com o passar dos anos, esses tijolos saindo, uns algumas pessoas ajudam a remover, outros você consegue retirar, outros depois de muito tempo irão esfarelar, mas terá um dos tijolos, um único que continuará no seu bolso e depois de um tempo, apesar do peso você deixará de notá-lo, mas em alguns momentos quando precisar guardar algo nesse bolso irá colocar sua mão e será nesse momento que tudo voltará a tona, as lembras, os bons momentos, o cheiro, o som da voz, o toque, as broncas, os conselhos, a imagem do sorriso.
Aquilo que por alguns momentos parecia estar desaparecido, você percebe que estava lá...guardado...para tentar de alguma forma aliviar a dor por alguns instantes. 
E algumas perguntas surgem:
Mas tinha que ser ele o anjo para ir pro céu?
Quem disse que a missão dele já havia sido cumprida?
Quem diz que ele queria ir para um "lugar melhor"? 
Qual é o tamanho da nossa insignificância nesse momento?
Qual o controle e o que nós podemos controlar? 
Quando essas perguntas serão respondi? Provavelmente nunca, talvez elas sejam até uma forma de tentar deixar a dor "menor", tentar fazer com que esse último tijolo seja menos pesado, ou apenas uma forma de refletir para não chegar em conclusão nenhuma e dar-se por vencido devido ao cansaço.
Talvez nesse momento possamos pensar em uma frase do nosso querido e totalmente extemporâneo Friedrich Nietzche "mesmo no ferimento se encontra também a força curativa", ou seu "lema": "increscunt animi, virescit volnere virtus" ("crescem os espíritos, a força se fortalece com a ferida") (Crepúsculo dos Ídolos). 
E quem somos nós para contrariar?
E a última pergunta que fica:
Será que esse tijolo deveria sumir? Ou ele é apenas uma forma de nos manter alerta para que possamos perceber e valorizar por ainda estarmos vivos, com possibilidade de carregá-lo?





terça-feira, 4 de setembro de 2012

Definitivamente... Somos imediatistas!!!



Definitivamente... Somos imediatistas!!!
Queremos a resposta pra ontem. Queremos já o retorno do contato feito. Queremos agora a resposta para a nossa pergunta.
Porém o tal "querer não é poder" cabe muito bem nessas situações, nem tudo depende apenas da nossa única e exclusiva boa vontade, não é mesmo?
O maior problema dessa equação entre o querer e o poder é conseguir entender o resultado final disso, conseguir lidar com a "frustração" de não conseguir aquilo que queremos no momento em que desejamos, mas na verdade esse é um processo que devemos ter consciência de que será aprendido durante anos de convivência, trabalho e muitos relacionamentos, com os mais variados tipos de pessoas e mesmo assim poderemos não aprender a lidar com isso.
Ok... "querer não é poder", nem tudo depende unicamente da nossa velocidade, então qual seria a necessidade de ter que realizar tudo tão rápido, tudo pra ontem?
Na verdade eu prefiro essa opção apenas para não ter que resolver tudo amanhã, afinal uma hora ou outra, alguma solução tem que aparecer, portanto prefiro que seja agora. 
Talvez no trabalho seja um exemplo clássico de várias situações em que essa solução não é tão simples, uma vez que provavelmente obter as respostas dependerá da função de outras pessoas, mas pensando em trabalho, apesar de não ter uma experiência tão grande ainda, tenho certeza que muito dependerá do nosso posicionamento perente algumas situações. Pode acreditar que responder com gentileza, com a maior atenção possível e realmente demonstrando sua vontade em ajudar será a forma mais rápida de conseguir concluir tarefas futuras, pois se hoje é alguém que está solicitando ajuda, amanhã poderá ser você que precisará dessa ajuda.

Nesse momento começamos a misturar dois pontos:
1 - A necessidade de realizar algumas coisas o mais rápido possível.
2 - A gentileza que poderá facilitar esse processo (número 1).

Mas o fato é:
1 - Temos cada vez mais coisas pra resolver em um tempo mais curto.
2 - A gentileza acaba ficando de lado nessa necessidade de agilidade.

Você já parou pra pensar nisso, que além de "gentileza gera gentileza", a gentileza pode gerar agilidade para problemas futuros?
Às vezes um email com um final escrito "Abraços", "Atenciosamente" e não apenas "Abs" ou "Att." já pode fazer uma diferença grande, um "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" também é um grande diferencial hoje em dia.
Não corra tanto para resolver seus problemas, afinal "o que não tem remédio, remediado está", os outros em algum momento você encontrará o remédio! ;)

O vídeo fica como uma inspiração após esse texto, com a bela voz de Marisa Monte! ;)