terça-feira, 9 de setembro de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Devaneios
Mais uma vez volta a me procurar, mas por onde começar?
Existe um começo para poder procurar?
Ou apenas vou achando parte e tentando encaixar?
Vários universos são abertos e através disso, logicamente, acabo descobrindo mais pedaços de mim, mas até que ponto nossos pedaços resgatados através desses universos são realmente nossos?
No instante em que nos juntamos aos pedaços, simplesmente não somos mais nós, somos partes de um outro nós. Existiria alguma forma de me juntar em mim mesmo?
Sinto essa falta, essa necessidade, mas ao mesmo tempo gostaria de achar essas possibilidade.
Algumas angústias, anseios, inseguranças e medos surgem ao mesmo tempo. Mistura de afetos, que me afetam, atravessam e chegam a provocar uma falta de ar.
Não sei exatamente onde quero chegar com essa possível reflexão, não sei se é uma reflexão ou apenas uma vazão para algo que está dentro, aqui dentro, comprimido, apertado.
Gostaria de estar apenas comigo e de preferência vazio, sem precisar pensar tanto, sem precisar estar tão cheio, não necessariamente isolado, mas ligado em mim, só comigo e vazio de pensamento, pareceria depressão? Acredito que não... Apenas quero ficar mais quieto.
Como aliviar tanto sentimento? Não quero o excesso da razão... Quero o vazio dela. Apenas gostaria de um equilíbrio, tomar decisões parece não estar sendo meu ponto mais forte e nem quero que seja!
Me faz bem ou me faz mal?
Acho que apenas vai me fazendo... Vou sendo perfurado, sentindo o lado trágico, a alegria, as vontades.
Transbordo em excessos, mas ao mesmo tempo gostaria de estar contido em pouco, pouquíssimos sentimentos.
Me rasgo em possibilidades de me achar, escrevendo tento me resgatar. Sinto-me vazio de... sinto-me apenas vazio, algo inexplicável e talvez até mesmo banal ou sem um motivo. Parece que me toco, mas não me sinto, me busco, mas não me acho. Todo esforço para tentar expressar isso tudo que sinto parece ser tão complexo quanto produzir esse texto.
Desenvolvo o texto e parece não me sanar com tudo aquilo que gostaria de falar, mas acho que em nenhum lugar pretendo chegar...
Devaneio apenas para aliviar...
terça-feira, 3 de junho de 2014
Pensar na morte
Pensar na morte, não me faz morrer,
mas pensar na morte pode me auxiliar a viver.
Caminhando por entre a vida e vivendo permeado de morte,
não me dá nenhum suporte!
Trabalhar estudar correr
Dirigir escrever pensar
Conversar compartilhar comer
Brigar amar falar...
Ufaaa.... mais folego....
Chorar defecar rir
Lavar olhar sentir
Jogar banhar discutir
Ganhar perder partir...
E o que a gente leva da vida?
Estar vivo e viver são duas coisas diferentes.
Penso logo existo dirão...
E quem disse que existir é viver?
Podemos existir e estarmos ausentes.
Ausente das experiências,
ausente por medo,
ausente para os parentes,
ausente do verdadeiro enredo.
Distante desse enredo da vida que pode retornar eternamente,
em busca de um além do homem,
talvez alcançado pela solidão.
Dane-se, Deus está morto e você ainda não!
Não deixe o dia te engolir,
não deixe a vida passar,
bem ou mal, certo ou errado.
Esqueça! A vida não é um quadrado.
Pretende viver esteticamente estático?
Deixe de ser tão apático...
Vá... viva...
Movimente o movimento rotineiro deixe do seu modo.
Mude as mudanças mundanas.
Mas pode ficar calmo...
E nem precisa querer contar com a sorte,
afinal se nada der certo, o final de tudo, você já sabe...
É a morte!
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Estudantes e lutas sociais: O que temos a ver com isso?
Esse foi o título da mesa redonda que aconteceu no CED (Centro de Educação da UFSC). E disponibilizou aqui o texto que trabalhei durante o debate.
Qualquer coisa que eu fale
aqui como contraponto, ou posicionamento favorável à polícia, pode parecer a
favor da ditadura, em virtude do momento histórico que vivemos, mas isso está
longe de mim. Também gostaria de deixar claro que não concordo com a forma que
aconteceu toda a ação da polícia, principalmente por ter o NDI e o Flor do
Campos ao lado, mas também acredito que a conduta de estudantes, professores e
técnicos que estavam no local poderiam ser diferentes.
Minha bandeira não é
vermelha, azul ou verde... Não sou filiado a nenhum partido... E também não sou
coxinha, muito menos palyboy, às vezes a definição não nos define, aliás,
sempre é muito pouco, mas como todos gostam e acreditam que um partido deve ser
tomado, prefiro levantar a bandeira da educação, de alguém que participa desde
2003 do movimento estudantil, atualmente estudante de Pedagogia e Mestrando do
Programa de Pós Graduação em Educação.
Estou aqui hoje para
ponderar algumas afirmações e formas que todo esse movimento está tomando. O
ponto central é a questão da não generalização, citando Nietzsche, “qualquer
totalidade não consegue resumir a vida”, Cabe perceber que as coisas (política,
economia, polícia) não são os mesmos de 50 anos atrás, os estudantes de hoje,
assim como todo o movimento estudantil também está de outra forma, levanta
outras bandeiras, e não adiantará acreditarmos que nada mudou, nem mudará, pois
estar nesse mundo é permitir-se mudar o tempo todo, as transmutações do
espírito acontecem, constantemente, seja nos deveres, nos quereres, ou no criar
novas possibilidades, novos rumos e caminhos.
Será que realmente o caminho
é “[...] construir desde já uma
cultura de autodefesa no movimento estudantil [...]” como li em um dos diversos
textos que tem permeado as redes?
Isso me assusta um pouco, parece que estamos voltando a aplicar a “lei
de talião”, olho por olho e dente por dente. Amarrar as pessoas nos postes
parece estar sendo comum, será que está na hora de formarmos milícias populares,
ou quem sabe milícias estudantis? Qual seria a solução para tenta violência, e
aqui não estou falando apenas da física; mas comunas, coxinhas, playboy,
vagabundo, também são um tipo de violência, a verbal (principalmente quando
acontece de um grande grupo para um grupo menor), está violência por sua vez,
gera uma violência ainda pior: a psicológica, que consequentemente parece
formar um ciclo vicioso de violências.
Em 2013 tivemos 283 ocorrências registradas, o
segundo maior número perdendo apenas para 2011 com 313 ocorrências, significa
mais de uma ocorrência por dia letivo. Tivemos o maior índice de roubos, com
total de 26. Isso porque estamos falando apenas de registros realizados. Outro
número que assusta são as detenções, foram 51 em 2013, perdendo para 59 em 2008
e 53 em 2009. Os números relacionados com a violência continuam altos.
Parece que mais do que nunca uma ação negativa
reverbera muito mais do que dezenas de ações positivas. Sabe aquele papo, que
você pode fazer mil coisas boas, mas a ruim sempre terá maior destaque. Fumar
dentro da reitoria, ou pichar suas paredes atinge negativamente o movimento
estudantil, assim como amarildos e claudias do nosso dia a dia suja o nome da
polícia. Cabe lembrar que nem todos corroboram dessas atitudes. A mesma mídia
que critica o movimento estudantil por causa de um ou outro é a mídia que
repercutirá os desastres da polícia, principalmente se envolver morte com
bastante sangue.
Mas vamos pensar um pouco, existem padres
pedófilos, existem cuidadores que machucam os idosos, existem pais que na falta
de diálogo preferem bater nos filhos, assim como existem professores que
preferem “matar aulas” e polícias que “descem o cacete”. Mas também existe o
padre que auxilia, o cuidador que realmente cuida, os pais que tratam com amor
seus filhos, professores que são marcantes e policiais que exercem suas funções
dignamente.
Sim, existem policiais que exercem suas funções
adequadamente, não tem “ficha suja”, realizam apreensões e não ficam com o
dinheiro para eles, auxiliam a população na resolução de conflitos e acabam com
os problemas quando são convocados, em muitos casos sem precisar de tiros, ou
bombas. E quando falamos: “fora PM” é uma violência verbal, assim como ofender
alguém pela cor da pele, ou pela opção sexual (e não estou aqui para julgar
qual dessas violências verbais são maiores ou menores). Essa violência não
afeta apenas a instituição Polícia Militar, mas também a todos os pais de
família, que tem essa função como uma forma de sustentar e auxiliar no processo
formativo de seus filhos. Tenho certeza que a grande maioria dos policias não
escolhem essa profissão porque querem dar pancada ou tiros para todos os lados.
Estamos no centro de educação e algumas
atitudes radicais me assustam. Estamos em um período em que o regime militar
tem sido muito citado e lembrado, afinal são 50 anos, mas parece existir um
“saudosismo negativo”, lembramo-nos dos fatos, que muito aqui não vivenciaram, apenas
ouvimos a história de conhecidos, dos livros, ou professores, e estagnamos
nesse momento achando que hoje é exatamente dessa mesma forma que funciona,
fazendo com que as conquistas do movimento estudantil nem sejam percebidas, ou
será que no regime militar existira alguma ocupação na reitoria? Aliás, por que
essa ocupação não foi feita na policia federal? Por que não ocuparam ou prédio
da polícia federal? Por que não picharam o muro da polícia federal?
Estamos no centro de educação e acredito que
caso não possamos acreditar nas mudanças, no exemplo dado e principalmente que
as mudanças existem pautadas na construção coletiva de ideia e opiniões,
podemos dar as costas para esse centro e escolher outra formação.
Estamos no centro de educação e que bom seria,
citando Nietzsche “[...] ao
acordar, imaginar se nesse dia não podemos dar alegria a pelo menos uma pessoa.
Se isso pudesse valer como substituto do hábito religioso da oração, nossos
semelhantes lucrariam com tal mudança."
Talvez
nesses anos de participação do movimento estudantil esse é o momento mais
significativo e marcante, não devido às palavras entusiasmadas, não por tiros
ou bombas, não por causa de cigarros de maconha, mas sim por fazer as pessoas
pensarem o que acham ou deixam de achar sobre tudo que está acontecendo. Como
diria Mario Sérgio Cortella, momentos “graves também são momentos grávidos”,
são grávidos de possibilidades, de diálogos, de formação.
Mais uma vez diversos movimentos estão ecoando,
legalização das drogas “Tabaco ou
maconha, o que te envergonha? Eu não sou menos digno porque eu fumo maconha.”
(D2). O movimento feminista “Sou rainha do meu
tanque, sou pagu indignada no palanque.”
(Rita Lee). A luta contra o preconceito racial “Negro drama, cabelo crespo, e a
pele escura, a ferida a chaga, a procura da cura.” (Racionais). A luta contra o
preconceito sexual “Consideramos justa toda forma de amor” (Lulu Santos).
Como diria Camões “Mudam-se
os tempos, mudam-se as vontades.”
Alguns
atos que realizamos devem ser assumidos, pois eu posso roubar uma pessoa,
transar em local público, ou até mesmo abaixar a calça e defecar no meio da
rua, mas devo assumir as consequências caso seja pego. Isso também vale para
usar maconha, seja no carro, na praia, na frente de uma balada, ou no bosque na
UFSC. Enquanto for uma contravenção, devo estar ciente que preciso assumir e
arcar com as consequências.
Ao
mesmo tempo é fato que nem com todo esse tumulto, as ondas de violência e
roubos não pararam. No próprio dia 25/03 (durante a ação da polícia), um dos
agentes teve sua carteira roubada, com dinheiro e documentos, além de colete,
GPS e câmera. Dia 27/03, no CSE (Centro Sócio Econômico) roubaram uma moto, que
por sinal foi encontrada pela polícia dois dias depois.
O que tenho a dizer sobre a
policia?
Digo
que sou a favor de uma forma mais eficiente de segurança aqui na UFSC. Os
próprios alunos não serão capazes de realizar essa segurança, pelo menos eu não
estou disposto a andar com spray de pimenta (que alguns já têm), ou com taser,
muito menos com qualquer arma branca, ou arma de fogo e apenas colocar mais
iluminação não resolverá o problema, pois sabemos da quantidade de roubos e
furtos durante o dia.
Não
concordo com o controle de todos que entram e saem da
UFSC, uma vez que acredito que aquele espaço pertence a todos da comunidade.
Caso não consigamos achar uma solução plausível e adequada
acredito que é sim necessária a polícia e/ou a identificação das pessoas que
entram e saem, mas repito, essa deveria ser a última medida.
Estamos vivendo e nos deixando levar cada vez mais por esse mundo
acelerado. Estamos passando pela vida sem vivê-la. O contato com o outro fica
cada vez mais castrado ou distante e no instante que surge um contato
conflitante, parece existir a extrema necessidade de um confronto, para
extravasar de uma vez tudo aquilo que estava enclausurado. Isso acontece com
todos nós seja no encontro com alguém aqui na universidade, no transito, dentro
de uma sala de aula e também acontece com a polícia, seja no morro, na rua ou aqui
dentro da universidade. Com isso não quero defender a ação de ninguém quando
está ligada a violência, mas gostaria de deixar claro que em alguns momentos
não aguentamos a pressão e nos exaltamos, seja subindo em um carro, seja
falando de forma mais enérgica, ou com escudos, bombas e tiros, mais uma vez
não estou julgando qual ação é maior, menor, melhor ou pior.
Psicologicamente e pensando com Freud, o que aconteceu no dia
25/03 iniciou-se com um trabalho do “ego” (alias essa é uma estrutura do
aparelho psíquico que pode ser percebido com clareza, constantemente,
principalmente na área da educação), ou seja, o evento psíquico que ocorria era
determinado por eventos anteriores, no caso os fatos da ditadura.
Posteriormente o “id” entrou em ação, colocando para fora instintos, impulsos,
desejos e o “super ego” não tinha mais nada para mediar. O furacão já estava
formado. O que quero dizer com isso? Simplesmente que no calor das ações
algumas atitudes acabam sendo dominadas pelos impulsos.
Gostaria de dizer que em meio a todo esse movimento turbulento
existe um ponto central que parece claro, o processo formativo está acontecendo
e ele deve existir no campo do diálogo e dos conflitos, não dos
confrontos.
Citando Bob Marley "Quem é você para julgar a vida que vivo?
Eu sei que não sou perfeito - e nem vivo para ser perfeito - mas antes de
começar a apontar o dedo... tenha certeza de que suas mãos estão limpas!"
E finalizo com Mahatma Gandhi e Nelson Mandela, o primeiro diz que
"Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio [...] o amor
é a força mais abstrata e, também, a mais potente que há no mundo." E
Mandela dirá: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar
o mundo”
A violência não me representa!
Como diria a foto do perfil do facebook de uma das nossas
professoras “Vejo Esperança”, esperança aqui vista como verbo e não
substantivo, como diria Cortella “verbo esperançar é ir atrás, buscar, ter
persistência, ter paciência, ter resistência, mas acima de tudo, ter energia
para se movimentar na direção daquilo que se deseja” e acredito, diferente de
uma carta enviada por uma estudante ao fórum de graduação, que as flores podem sim
vencer o canhão, mas desde que o processo constante de formação humana
permaneça e que o diálogo prevaleça!
sexta-feira, 28 de março de 2014
UFSC, drogas e a sociedade!
Não posso deixar de escrever sobre os fatos que estão acontecendo na UFSC.
Confesso que estou tentando organizar as ideias, mas existem muitos fatos para serem debatidos, entretanto vou tentar realizar um texto curto.
Primeiramente gostaria de dizer que sou do movimento estudantil desde 2003, quando iniciei minha primeira graduação, sempre fui favorável a diversas ideologias, porém contestava outras. Não sou formado em História, não sou filiado a nenhum partido político, sou aluno da Pedagogia e do Mestrado em Educação, (prédio que fica ao lado de onde ocorreu o conflito do dia 25/03/2014) e vejo pontos positivos dos dois lados que tem se manifestado na UFSC.
Tudo que vou escrever aqui é baseado em conversas com amigos da faculdade (Ismael, Marino e outros representantes do centro acadêmico), professores (Orlando, Olinda, Everaldo), além de amigos que tenho dentro da polícia.
Gostaria de deixar claro que não concordo com a proporção que tomou a ação da Polícia Federal, balas de borracha, bombas de gás, bombas sonoras, bombas de luz, entretanto também não sou da polícia para saber qual o tipo de treinamento dado para esse tipo de situação, mas é fato que havia o Flor do Campos e o NDI (Núcleo de Desenvolvimento Infantil), ao lado do local da ação e isso parece ter sido um "tiro no pé" de toda a ação.
Ao mesmo tempo quando os estudantes e até mesmo professores solicitaram para que os Policias Federais realizassem o TC (Termo Circunstanciado) no local, será que eles sabiam que são apenas os Policias Militares que podem realizar esse termo no local? Portanto a ação sendo da Policia Federal essa forma de negociar não tinha validade.
Até onde sei, de acordo com informações e entrevistas, existe sim investigações acontecendo na UFSC, isso não é novidade para ninguém, mas se existe algum "peixe grande" para ser preso, com certeza agora ele está mais atento, mais um "tiro no pé" da própria polícia.
Acredito que esses pontos são falhas que ocorreram na ação.
Alguns atos que realizamos devem ser assumidos, pois eu posso roubar uma
pessoa, transar em local público, ou até mesmo abaixar a calça e
defecar no meio da rua, mas devo assumir as consequências caso seja pego. Isso também vale para usar maconha, seja no carro, na praia, na frente de uma balada, ou no bosque na UFSC. (Portanto Cacau Menezes, presta atenção no que você fala!!!)
Ao mesmo tempo é fato que nem com todo esse tumulto, as ondas de violência e roubos não pararam. No próprio dia 25/03 (durante a ação da polícia), um dos agentes teve sua carteira roubada, com dinheiro e documentos, além de colete, GPS e câmera. Ontem dia 27/03, no CSE (Centro Sócio Econômico) roubaram uma moto.
Se sou a favor da polícia no campus?
Digo que sou a favor de uma forma mais eficiente de segurança. Os próprios alunos não serão capazes de realizar essa segurança e apenas colocar mais iluminação não resolverá o problema, pois sabemos da quantidade de roubos e furtos durante o dia.
Digo que sou a favor de uma forma mais eficiente de segurança. Os próprios alunos não serão capazes de realizar essa segurança e apenas colocar mais iluminação não resolverá o problema, pois sabemos da quantidade de roubos e furtos durante o dia.
Não concordo com o controle de todos que entram e saem da UFSC, uma vez que acredito que aquele espaço pertence a todos da comunidade.
Caso não consigamos achar uma solução plausível e adequada acredito que é necessária a polícia e identificação das pessoas que entram e saem, mas repito, essa deveria ser a última medida.
Sobre a polícia todos estão falando: "Você sabe o motivo pelo qual ela foi criada!"
Vamos ao seu significado: deriva da palavra politia do latim, que deriva da palavra politeia do grego, significando "organização política", "sistema de governo". Concordo que em muitos momentos, historicamente falando, ela agiu de forma truculenta, ou até com excesso de força necessária, mas dai generalizar que nenhum policial presta, que são todos corruptos, não servem pra nada, acredito ser exagero, pois sabemos que pessoas que enfraquecem um movimento temos em todos os setores, seja padres pedófilos na igreja, cuidadores de idosos que batem nos mesmos, professores que matam aula. Ainda posso citar como pessoas que enfraquecem um movimento o "estudante" que fumou maconha dentro da reitoria (o que ele queria provar com isso?), ou os outros estudantes que invadiram o Colégio de Aplicação da UFSC para convocar outros estudantes para a assembleia com a reitora no dia 27/03, o que não acho ser adequado. Porém não podemos generalizar todos por causa de um, ou de um grupo, certo? Portanto não vamos generalizar a polícia, pois conheço bons polícias, que nunca tiveram advertências e sempre cumprem suas funções, mesmo que em alguns momentos tenham uma enorme quantia de dinheiro interceptada em mãos.
Sinto um certo "saudosismo negativo", quando todos tem lembrado dos tempos de ditadura e da forma que a polícia agia, mas como futuro formador eu tenho a necessidade de acreditar nas mudanças, das pessoas e de grupos, correto? Qual seria o sentido de tudo continuar sendo igual sempre? As coisas não podem mudar? A polícia não pode mudar e estar constantemente mudando sua forma de ação?
Aliás pensando nas mudanças, sinto uma grande mudança na forma que as pessoas estão vivendo (e já escrevi isso algumas vezes aqui), mas parece que tudo é na base da velocidade e que para ser mais rápido a violência é uma auxiliar do processo, junto com a confusão e o caos.
Hoje dia 28/03 alguns alunos decidiram hastear novamente a bandeira do Brasil em frente a reitoria (bandeira que havia sido tirada no dia da ocupação da reitoria). Naquele momento outras causas foram colocadas em pauta, não apenas a questão da segurança. O grupo que ocupou a reitoria falou sobre o machismo, preconceito racial, sexual (reforço que sou a favor dessas lutas). Sabe o que isso reforça, que o problema é muito maior, que a questão é social e não apenas por sermos uma sociedade capitalista, mas por sermos uma sociedade que ainda tem a educação extremamente fragilizada. Qual o sentido de atitudes violentas? Qual o sentido do uso de tanta droga? Do que estamos querendo fugir?
Gostaria de dizer que em meio a todo esse movimento turbulento existe um ponto central que parece claro, o processo formativo está acontecendo e ele deve existir no campo do diálogo e dos conflitos, não dos confrontos.
"Quem é você para julgar a vida que vivo? Eu sei que não sou perfeito - e nem vivo para ser perfeito - mas antes de começar a apontar o dedo... tenha certeza de que suas mãos estão limpas!" Bob Marley
E finalizo com Mahatma Gandhi "Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio [...] o amor é a força mais abstrata e, também, a mais potente que há no mundo."
Que o processo constante de formação humana permaneça e que o diálogo prevaleça!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Como sua mãe pensa!
Hoje não é dia das mães, mas sempre pode ser um bom dia para nos lembrarmos delas, portanto esse é o texto de hoje.
Assisti um vídeo que minha mãe postou no facebook, em que algumas mães falavam suas aflições sobre a sua missão de ser mãe e posteriormente seus filhos sobre a visão que tem de suas mães, o que podemos concluir?
Que as mães no fundo não sabem o quanto podem e fazem bem aos seus filhos!
Que as vezes de tanto pensar no que deve ou não fazer, acabam deixando de perceber tudo de bom que realizam por seus filhos!
Que na grande maioria das vezes não "confiam em seu próprio taco"!
Que existe uma autocobrança muito maior do que necessário!
Basicamente que mães também são seres humanos que sofrem de uma autocobrança, fruto da nossa sociedade que parece focar muito mais nos pontos negativos do que nos resultados positivos, sempre está em busca de resultados, em busca daquilo que parece que nunca conseguimos atingir.
tudo permeado de uma necessidade imensa de paciência, muita paciência para saber como lidar e trabalhar com as situações que surgem ao longo dessa jornada.
Acredito que as mães têm um grande defeito, de sempre acharem que seus filhos não escutam, ou não dão importância para aquilo que elas falam. Podem acreditar, por mais que eles virem as costas, bata a porta e desobedeça, pode acreditar que o que foi falado, foi ouvido.
Outro ponto que as mães muitas vezes acabam pecando é achar que os filhos estarão para sempre com ela, em alguns casos isso é verdade, mas minha mãe sempre disse que: "criamos os filhos para o mundo" e acredito muito nisso, alias todo o processo educacional, seja aquele na escola, ou em casa, auxiliará para que possamos estar no mundo, mas não necessariamente morar junto é estar perto, ou morar distante é estar longe!
Voltando um pouco ao vídeo, podemos perceber que o processo de ser mãe só é complicado pela autocobrança, pois para as crianças o processo é muito mais simples.
Para ser uma boa mãe basta ter um bom abraço, fazer muita comida, ver filme, brincar de colorir, ir à igreja, pular na cama elástica, tomar sorvete, amar seus filhos.
Venho sustentando um ideia de que se todos (eu disse TODOS), fossem sinceros, principalmente naquilo que falam, teríamos um mundo diferente, mas muitas vezes temos que fazer de conta: "Ei... quanto tempo, iai tudo certo?" "Poizeh... quanto tempo... tudo sim!". Mera formalidade!
Vamos vivendo de aparências, existe cada vez menos coração nas relações, mas na relação de uma mãe para um filho coração é o que não falta (claro que as regras sempre tem exceções ok?!).
Por isso, se você que está lendo é mãe, fique tranquila, desde que suas atitudes estejam sendo feitas com o coração, o seu risco de errar é mínimo e o risco do seu filho achar que deveria ser mais ou melhor também é pequeno, pois pode ter certeza que em algum momento da vida ele reconhecerá o sucesso da sua missão de ser mãe, só espero que não seja tarde! ;)
Para quem ficou curioso o vídeo está aqui: http://www.cutucanao.com.br/veja-a-diferenca-de-como-as-maes-se-descrevem-pra-como-os-filhos-descrevem-as-maes/
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Caraudácia, você tem?
Hoje quero falar de uma banda que apareceu no ano passado aqui em Florianópolis. Na verdade a primeira apresentação que assisti foi na Maratona Cultural em março de 2013. Tocando apenas músicas próprias, algo que pode parecer muito desafiador, pois nem sempre o som autoral é bem aceito, porém acredito que a qualidade musical dos componentes da banda, somado com as letras poéticas, um toque de simplicidade, tudo misturado com o estilo próprio, estão auxiliando na conquista do seu espaço.
A banda que estou falando é Caraudácia.
Existe um público fiel que acompanham as apresentações, mas a cada show novas pessoas aparecem, fica cada vez mais diversificado e aos poucos os espaços ficam pequenos, mas não menos agradável.
A energia dos componentes da banda - diga-se de passagem, que não são poucos, total de sete - temperado com elementos musicais diversos, percussivos, de sopro, de corda, produzem um som dançante e ajuda a contribuir para o clima positivo entre os participantes da platéia.
Entre "loucuras maduras do coração" com uma "ginga"e outra, com uma tentativa de "melancolizar", eles nos lembram de que a vida "te consome devagar, vão tentando transformar o "palco em pão"com um toque único de "Caraudácia"que poucos tem!
A banda proporciona, pelo menos para mim, aquela sensação de ir para outro lugar, sentir o som e esquecer o mundo envolta, realmente mergulhar na música da forma que deve ser, sentir a letra e soltar o corpo para acompanhar um dos instrumentos ou todos ao mesmo tempo.
Florianópolis está em uma fase interessante de bandas com qualidade, Marelua, Sociedade Soul, Karibu, todas com sons autorais, também não duvido que existam outras com qualidades tão admiráveis quanto essas, mas o fato é que parece existir uma audácia maior, uma "Caraudácia", ou simplesmente é só uma empatia maior com a banda e o estilo do som.
Fato é que com a Janela Cultural (https://www.facebook.com/janelacultural?fref=ts) shows de qualidade não estão faltando em Floripa.
Portanto meu caro "tira o chinelo, solta o cabelo, vem dança, vem dança [...] não vem dizer que a vida é pouca, vá viver!"
Quer ouvir um pouco da banda Caraudácia, entra aqui:
http://www.youtube.com/user/caraudacia
Ainda podem saber de novidades por aqui:
https://www.facebook.com/Caraudacia
Vamos fechar com uma mensagem da banda:
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Saco Cheio
Basicamente
é um texto de quem está de saco cheio... É bem esse o termo...
Estou de SACO CHEIO de ouvir coisas sobre feminismo, sobre a
sociedade machista, sobre racismo, sobre preconceitos em geral. Parem de alimentar o discurso e tenham atitudes!
Eu não
represento aquilo que falo, sou muito mais atitudes do que
palavras!!!
Dirão:
“Nossa Gustavo, mas você trabalha com educação, como pode dizer
que não é aquilo que fala?”
O que
quero dizer é que posso falar muitas coisas, mas minhas atitudes
devem ser percebidas e de forma positiva, não mal interpretadas.
Darei um exemplo: um dia estava em um bar, quando fui passar por uma
porta percebi que havia uma menina que também iria sair, empurrei a
porta para que ela passasse antes, adivinha qual foi a frase que eu
ouvi?
“Não
vamos perpetuar essa sociedade machista! Passa você primeiro!”
Por
alguns segundos não sabia muito bem o que pensar, não entendi o que
estava acontecendo, mas tive um rápido reflexo para não comprar a
briga e disse: “Ok, então vamos passar ao mesmo tempo!”
Agora por
favor, alguém pode me explicar qual era o sentido de perpetuar uma
sociedade machista? Foi apenas uma gentileza... Sempre faço isso
quando estou entrando ou saindo de um banco, do banheiro da
faculdade, seja com homens ou com mulheres. Então se eu segurar a
porta para um homem passar estou perpetuando uma sociedade
“feminista”?Ou será que estou afim desse cara?
Acho que
hoje as coisas estão muito extremistas, radicais, não existe mais
uma sensibilidade necessária para que possamos avaliar aquilo que
acontece ao nosso redor.
“A
maldade está nos olhos de quem vê!”
Vi um
documentário esses dias: “O Riso dos Outros”
https://www.youtube.com/watch?v=7Oom9bq4DrA&list=FLyo04qBTnwT1B0Rs2YY5enQ&index=2
Vários
humoristas e personalidades falando sobre os tipos de piadas, que
muitas tem conotação ofensiva, são de mal gosto e quer saber minha
opinião?
Acho que
cada um fala o que quer e pensa como quer! Continuo achando que o
maior exemplo que podemos dar são nas atitudes! Claro que em uma
sala de aula não vou dizer que é certo uma criança chamar a outra
de viado, de macaco, ou rolha de poço, nem de mulherzinha por ter
cabelo comprido, mas o fato é que não são apenas as palavras que
representam o caráter de uma pessoa!
Existem
tantas pessoas que tem uma pose de “politicamente corretas”e no
fundo são piores do que aquelas que contam piadas sobre portugueses,
podem acreditar!
O fato é
que: por estarmos nessa sociedade acelerada, julgamos tudo
aceleradamente. O cabeludo, barbudo, com roupa “largada” e
tatuagem é vagabundo, não quer nada da vida, mal deve saber falar e
na melhor das hipóteses só rouba, ainda não matou ninguém! Já o
de cabelo penteado, barba feita, roupa social, sem tatuagem é bem
sucedido profissionalmente, tem um foco de vida, deve ter uma bela
retórica, é estudado, mas não deixem de lembrar dos queridos
políticos que roubam bem mais do que o primeiro personagem!
Conclusão?
Você pode tirar a sua, mas eu prefiro ficar com a frase do “Teatro
mágico”: “Acredito que errado é aquele que fala correto e não
vive o que diz”
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Lista para 2014
6:15 -> 01/01/2014
Não venta, mas o ar gelado ainda toma conta da temperatura que inicia o dia, levemente nublado.
O barulho dos diversos bichos confundem-se, mas o canto dos galos sobressai.
As árvores fazem uma mistura entre os tons de verde, algo de encher os olhos.
Tenho vontade de pensar, planejar ou desejar algo, afinal é dia 01/01, mas nada me vem à cabeça, parece que "apenas" a contemplação do ambiente já é suficiente.
Ao fundo , talvez não muito longe, ainda persistem sons de fogos de artifício comemorando o novo ano.
De repente, em minha mente, surge minha mãe, a falta de meu pai, alguns amigos e outros tantos parentes, mas afinal quais serão os caminhos de 2014?
Tento parar de pensar, planejar ou desejar, pois esses sentimentos parecem começar a tomar conta, então volto a fixar na natureza, o dia que começa a ficar mais claro e a mistura encantadora do barulho da natureza e o silêncio do resto do mundo! O silêncio do resto do mundo!
Sinto minha respiração, sou capaz de diminuir as batidas do meu coração e ouvir os barulhos da digestão. Para que eu desejaria mais do que isso? Para que planejar ou pensar algo além do controle de mim mesmo?
Não farei lista daquilo que quero para 2014, apenas vou ouvir meu corpo, pois ele tem as respostas que preciso, apenas terei o trabalho de silenciar o mundo quando não tiver a oportunidade de apenas ouvir, ver e sentir a natureza!
Mente Quieta,
Espinha Ereta,
Coração Tranquilo!
Buscando viver com intensidade, mas sem pressa, pois viver vai além de colocar-se no ritmo dos sons do dia a dia.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Último dia
Caros incomodados, estou aqui para falar de algo que já falei algumas vezes, mas confesso que ainda continua incomodando: a ideia da morte!
Dessa vez gostaria de utilizar uma outra linguagem, não quero escrever nada que penso ou deixo de pensar sobre isso, mas sim a letra de uma música que está na minha cabeça durante dias e não está muito afim de sair.
Dizem que para você esquecer uma música, que fica na sua cabeça, é necessário despender um pouco de tempo, mas essa regra não está sendo muito válida, por isso prefiro deixá-la na minha cabeça e aproveitar sua mensagem!
Então diga meu caro incomodado... O que você faria?
O Último Dia - Paulinho Moska
Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Corria prum shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
...
Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício?
Trancava a da delegacia?
Dinamitava o meu carro?
Parava o tráfego e ria?
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria? {2x}
Me diz o que você faria? {2}
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Corria prum shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
...
Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício?
Trancava a da delegacia?
Dinamitava o meu carro?
Parava o tráfego e ria?
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria? {2x}
Me diz o que você faria? {2}
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Mágicas da Formação
Constituímo-nos nas diferenças.
Talvez a maior dádiva e o maior castigo que recebemos durante a vida.
Somos seres que pensam, sentem e realizam as coisas de diferentes formas.
Não temos o poder sobre o outro, muito menos sobre outros.
Assim sendo, como conseguir ser um bom professor?
Como unir toda essa dissonância em uma direção que possa favorecer o processo de formação para o outro?
Talvez iniciarmos com mudanças em nós mesmos seja um bom começo.
Está tudo muito rápido? Vai mais devagar!
Está devagar demais? Acelera um pouco!
Muito preto e branco? Coloca uma cor, duas ou três!
Caso esteja muito colorido, acrescenta o preto e branco.
Está tudo espalhado no alto? Joga tudo no chão!
Caso esteja com o chão bagunçado, coloca no alto!
As crianças estão correndo muito? Vamos brincar de estátua!
Estão muito paradas? Vamos brincar de pega pega!
Temos outras soluções...
Está muito rápido? Acelera mais ainda!
Muito devagar? Para de uma vez!
Muito sem cor? Joga o branco!
Muito colorido? Espalha mais verde, amarelo, azul, vermelhor, roxo, rosa, laranja!
Muito no alto? Joga mais alto ainda!
Muito espalhado no chão? Acaba de espalhar o resto!
As crianças correndo muito? Vamos brincar de pega pega!
As crianças estão paradas? Vamos brincar de estátua!
Não entendeu?
Então compreenda: algumas coisas simplesmente não tem uma receita pronta.
Você precisa testar, arriscar, apostar, acreditar e de repente a solução você poderá encontrar!
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Um dia de cada vez - Flor do Campus
Confesso
que estava ansioso para aplicar a atividade com o G2 (crianças com
idade entre 1 ano e meio e dois anos), no Flor do Campus. Acredito
que não ter tanta experiência com essa faixa etária, com certeza
era um dos motivos para fazer a ansiedade aumentar.
Ao
mesmo tempo em que temos tanta coisa para aprender com as crianças,
nos sentimos, ou melhor sinto-me na obrigação de proporcionar algo
marcante para elas. Não algo que obrigatoriamente elas possam
aprender, reproduzir, decorar como fazer, mas algo que possa ser
significativo.
Por
mais que tudo esteja organizado, a atividade, os tempos, os
procedimentos, tudo sempre passa por diversas possibilidades, devido
à imprevisibilidade do ser criança.
Tão
imprevisíveis que podem passar da alegria extrema para o choro
compulsivo em segundos.
Pode ficar super atenciosa com algum barulho e de repente se dispersar ao ver um fantoche de palito.
Pode ficar super atenciosa com algum barulho e de repente se dispersar ao ver um fantoche de palito.
As
crianças são breves... Breves como muitos momentos em nossa vida,
desde os alegres até os tristes.
As crianças são breves... Breves como o tempo em que um beija flor para de bater as asas.
As crianças são breves... Breves como nossa própria vida.
As crianças são breves... Breves como o tempo em que um beija flor para de bater as asas.
As crianças são breves... Breves como nossa própria vida.
As
crianças são simplesmente breves.
Sinto
esse poder delas de mudarem seu humor como o tempo que o vagalume,
acende e apaga.
E
isso tudo é muito encantador.
Planejamos
contar uma história e interagir com fantoches de palito, mas não
tivemos história contada, apenas imagens mostradas e uma grande
interação com os bonecos de palito.
As
coisas começaram a ficar mais interessantes quando fomos para a área
externa, para plantar os corações de papel.
Enquanto um cavava a terra, os outros distraiam-se com outros atrativos do espaço.
Aos pouco um a um, foram plantando os corações. Não sei bem se entendiam o que estavam fazendo, se compreendiam o motivo, mas estava prazeroso, vê-los mexer na terra e ao mesmo tempo divertindo-se de um lado para o outro.
Enquanto um cavava a terra, os outros distraiam-se com outros atrativos do espaço.
Aos pouco um a um, foram plantando os corações. Não sei bem se entendiam o que estavam fazendo, se compreendiam o motivo, mas estava prazeroso, vê-los mexer na terra e ao mesmo tempo divertindo-se de um lado para o outro.
Corpos
soltos pela grama...
Hora
da sala de arte. Pintar com cola colorida os potes que seriam os
futuros vasos.
Alguns
tímidos, não ousavam colocar a mão na cola, preferiam o pincel.
Outros achavam melhor colocar um dedo e outros a mão toda.
Cada
um em seu tempo, do seu modo, com suas ideia, colorindo o pote.
Experimentando a nova textura, as cores, a bagunça.
Alguns
acabaram logo, outros não queriam acabar, mas era hora de limpar as
mãos para sujar mais uma vez. Dessa vez com terra.
Voltamos
para a sala com os potes e descobrimos uma nova tática, quando
dizíamos que seria contado um segredo, todos ficavam em silencio.
Divina mágica.
Mostramos
as mudas de plantas e dissemos que naquele momento eles iriam
plantar.
Mais
uma vez a festa estava armada. Todos para fora, cada um com seu pote,
sentados em roda e um saco de 5 kg de terra no meio deles, portanto,
mão na massa!!!
Terra
para todos os lados. Na mão, na roupa, no tênis, na camiseta, terra
que não acabava mais. Potes pela metade, hora de colocar as
sementes. Depois mais terra. Diversão incrível, que era até
difícil livrarem-se dos potes, uns choravam, enquanto outros
preferiam virar o pote com a terra e com todas as sementes dentro!
Aos
poucos, acalmando os chorões, replantando os que haviam jogado a
terra fora, tudo foi se acalmando e foram voltando para a sala.
Era hora de nos despedir, pois a outra turma estava chegando. Agora vamos esperar para o que nos aguarda na próxima semana!!
Era hora de nos despedir, pois a outra turma estava chegando. Agora vamos esperar para o que nos aguarda na próxima semana!!
Segundo dia de
intervenção.
A ansiedade é menor,
porém sinto que temos poucas atividades e muito tempo, mesmo assim tinhamos algumas "cartas na manga".
Quando chegamos, somos
avisados que o lanche das crianças seria depois de meia hora do
inicio de nossas atividades.
Também tivemos uma
ótima noticia de que na segunda-feira, após nossa atividade de
plantar os corações de papel, a primeira coisa que as crianças
fizeram foi procurar para verificar se eles havia brotado.
Fico mais tranquilo,
pois tenho absoluta certeza que iremos ocupar esse tempo
tranquilamente.
Cumprimentamos as
crianças, que mesmo depois de me olharem sem barba, ainda insistem
em me chamar de pai (talvez essa seja uma reflexão para um próximo
texto).
A primeira atividade
programada é colher as flores de papel, as quais já estavam
colocadas em seus devidos locais. Quando as primeiras crianças
chegam, expressam um olhar de espanto e surpresa.
Aos poucos vamos
distribuindo as flores, pois cada uma tinha o nome de uma das
crianças.
Depois elas voltam para
a sala de aula. Apesar de algumas deixarem as flores pelo caminho,
uma das crianças pegava e ia formando um buque com essas que haviam
sido deixadas.
A atividade na sala
eram três filmes relacionados com músicas de plantas e isentos.
Com o ambiente
devidamente preparado, com um lençol improvisado que servia de
telão, para a sessão de cinema.
As crianças ficam
vidradas nos vídeos e prestam muita atenção. Algumas balançando
levemente a cabeça no ritmo da música, outras repetindo algumas
palavras.
A mãe de uma das
crianças chega e ficamos com o grupo mais reduzido. Inicialmente com
seis crianças, agora estava com cinco.
Logo após o filme
buscamos as mudanças que elas haviam plantado na primeira aula para
que possam ser regadas. Cada uma rega um pouco de cada planta e
mostramos para elas onde cada uma está brotando.
Após cuidarmos das
plantas, passar álcool nas mãos, pois é hora do lanche.
Bola, bolacha, gelatina
e suco.
Alguns comendo
timidamente, outros sem nenhuma cerimonia, colocando tudo na boca de
uma vez, até perceberem seus limites!
É encantador perceber
como cada um vai descobrindo a comida, estranhando o gosto, sentindo
a textura, a sensação de tocar a gelatina.
Cada um em seu ritmo -
como de costume - pedindo mais, outros satisfeitos. Aos poucos todos
vão acabando e voltando para a sala.
Voltamos com as
crianças para a sala.
Sinto uma sensação
boa, de um “dever” cumprido, mas algo antes de tudo prazeroso.
Estar perto das crianças, tentar sentir o tempo delas, sentir as
vontades delas, exercendo a alteridade e buscando de alguma forma
absorver um pouco desse universo, pelo qual já passamos e ao mesmo
tempo parece-nos tão distante.
O que elas aprenderam?
Prefiro não pensar
sobre isso.
O tempo da criança não
é o nosso, logo a forma de assimilação delas é outra, portanto
prefiro que o tempo delas encarregue-se de mostrar o que vale ou não
ser lembrado.
Busco uma forma de
formar o outro e me formo, nesse processo que em muitas vezes
deixamos de perceber sua mão dupla!
Cabe aqui o agradecimento do nosso grupo de trabalho (Ana, Gustavo, Pamela) para todos do Flor do Campus que nos auxiliaram. Coordenadora Seandra, professora Lais e auxiliares, Tuani e Aline. Claro que nosso agradecimento à professor Gabriele Nigra que nos proporcionou essa experiência.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Os Temperos dos Tempos
Ganhar tempo. Aproveitar tempo.
Perder tempo. Administrar o tempo.
Aproveitar o tempo. Perca tempo.
Administrar o tempo. Ganhe tempo.
Perceba o tempo. Perceber o tempo.
Quanto tempo tenho?
Quanto tempo falta?
Qual é o seu tempo?
Ontem o tempo passou!
Hoje o tempo passou!
Amanhã o tempo passará!
Tudo é tempo.
Nada tem tempo.
Somos nosso tempo de vida e o tempo que nos resta à vida.
Vivemos ou "tempemos"?
Você vive a sua vida ou apenas deixa o tempo vivê-la?
Você vive a sua vida ou perde tempo com a vida dos outros?
Tempo relativo... Futuro.
Tempo passageiro... Passado.
Tempo presente!
Tampe a temporalidade desse tempo tempestuoso, pois a temperatura depende dos temperos, das tentativas, de tu trazeres o tesão pela vida.
Tempere seu tempo...
Presenteie-se com seu tempo!
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