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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O quanto estamos mergulhados na vida?




Sigo na reflexão sobre a morte e consequentemente sobre a vida....

Bene autem mori est effugere male vivendi periculum (Morrer bem é escapar do risco de viver mal) [...] A vontade é o único obstáculo à morte [...] Todo mundo precisa buscar aprovação também de outras pessoas para sua vida, mas apenas a própria para sua morte: ótima é a morte que lhe agrada.” (Sêneca – Edificar-se para a morte – das cartas morais a Lucídio, p.98 – 102).

Sabe o que é realmente bom na vida?
Ela não tem regra e muito menos padrão, isso somos nós, que por diversos motivos, acabamos criando.
Sabe o que isso significa?
Não tem certo, não tem errado, tem uma forma que você instituiu como melhor para vive-la.
Sabe o grande problema disso?
Nem sempre somos compreendidos, e/ou compreendemos o outro – lembrando que, às vezes, nos compreender é tão difícil quanto compreender o outro.
Sabe o que essa falta de compreensão gera?
Conflitos e desentendimentos, irritação e briga, mas também diálogo e nova compreensão, reflexões e novas possibilidades – ou não.
E sabe o que é realmente bom na vida?
Você pode reinventar sua regra e rever seus padrões!

Sêneca em outro trecho diz: Constituendum est quid velimus et in eo perseverandum (É preciso definir o que queremos e perseverar nisso). (Sêneca – Edificar-se para a morte – das cartas morais a Lucídio, p.28).

Compreendendo esse perseverar como uma possibilidade de bancar seus desejos e suas vontades. Para não correr o risco de viver mal!

(Gustavo Tanus Martins na construção de uma tese)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Estamos Seguros?




Depois daquela noite, o menino tornou-se amigo do Tempo... Ele era, agora, seu grande conselheiro. Sempre que precisava de algo, que estava incomodado com alguma coisa, era ao Tempo que ele recorria. 
Naquela noite, ele cansou de virar de um lado para o outro da cama e, recorreu ao seu amigo:
- Ei Tempo... Lembra-se de nossa conversa anterior?
- Claro! Como haveria de esquecer? O que está lhe incomodando agora, meu caro amigo?
O menino suspira, sente-se acolhido pelo Tempo, fica feliz em tê-lo por perto e pergunta:
- Eu estou seguro?
Tempo fica pensativo e retruca:
- Como assim seguro, bom menino? Explique mais sobre isso....
O menino apenas havia acordado e não tinha muito bem elaborado aquele pensamento, mas tentou explicar:
- Todo momento parece que estamos buscando segurança. Temos grades, cercas elétricas, cadeados para nos proteger em casa, airbags para evitar lesões graves nos acidentes de carro, estudamos muito para a segurança de um bom emprego, pagamos para no final da vida podermos receber um dinheiro sem trabalhar. Fico pensando: será que eu estou seguro?
Tempo não precisou articular tantos pensamentos e começou a responder:
- Grades podem ser quebradas, cercas elétricas desligadas, cadeados arrobados, airbags não abrirem, não achar um bom emprego, morrer antes mesmo de para de trabalhar. Não, você definitivamente não está seguro.
O menino ficou angustiado. Sua respiração ficou ofegante. O coração acelerado. Vendo a aflição tomando conta dele, Tempo interferiu:
- Entenda meu bom amigo, apesar de sempre buscarmos, nunca estamos seguros, somos seres do mundo, sendo assim, estamos sujeitos aos acontecimentos mundanos, compreenda isso e estará tudo bem!
O menino respirou um pouco mais aliviado e ficou repetindo mentalmente, até adormecer:
- Está tudo bem!!!
Está tudo bem....
Está tudo bem.....

Pensamento da noite silenciosa





Em uma noite quieta e fria o menino pergunta, instigado, ao Tempo: 
- Quanto tempo eu tenho? 
O Tempo responde:
- Alguns dizem: todo o tempo do mundo! Eu posso afirmar: o tempo necessário.
O menino silencia, por alguns instantes tentar entender, mas não se conforma e volta a perguntar, agora um pouco mais aflito:
- E como posso aproveitar esse tempo, Tempo? Como o tempo sabe o que é necessário? E se para mim esse tempo não for suficiente? E...
O Tempo interrompe o menino e responde com uma voz tranquila:
- Não se aflija dessa forma, pois assim estará perdendo tempo. Não acredite na necessidade de aproveitar, ser suficiente, nas promessas.... Lembre-se que o tempo passará independente de sua vontade. Por vezes não será da forma que você esperava. Você deverá focar apenas naquilo que lhe cabe, no melhor que possa fazer para você mesmo, o resto, deixe estar, pois o tempo trará as respostas.
Mais uma vez, o menino faz silêncio. Tenta fechar os olhos, para pegar no sono. Dorme por alguns minutos, acorda novamente e pergunta, novamente ao Tempo:
- Em quanto tempo terei essas respostas?
O Tempo, pacientemente, explica:
- No tempo necessário, mas não esqueça de algo importante, independentemente de qualquer coisa que aconteça nesse tempo; está tudo bem!
O menino parece tranquilizar-se e repete as palavras finais do Tempo, até cair em sono profundo:
- Está tudo bem.... Está tudo bem.... Está tudo bem....

terça-feira, 3 de junho de 2014

Pensar na morte


   


Pensar na morte, não me faz morrer,
mas pensar na morte pode me auxiliar a viver.
Caminhando por entre a vida e vivendo permeado de morte,
não me dá nenhum suporte!

Trabalhar estudar correr
Dirigir escrever pensar
Conversar compartilhar comer
Brigar amar falar...

Ufaaa.... mais folego....

Chorar defecar rir
Lavar olhar sentir
Jogar banhar discutir
Ganhar perder partir...

E o que a gente leva da vida?

Estar vivo e viver são duas coisas diferentes.
Penso logo existo dirão...
E quem disse que existir é viver?
Podemos existir e estarmos ausentes.

Ausente das experiências,
ausente por medo,
ausente para os parentes,
ausente do verdadeiro enredo.

Distante desse enredo da vida que pode retornar eternamente,
em busca de um além do homem,
talvez alcançado pela solidão.
Dane-se, Deus está morto e você ainda não!

Não deixe o dia te engolir,
não deixe a vida passar,
bem ou mal, certo ou errado.
Esqueça! A vida não é um quadrado.

Pretende viver esteticamente estático?
Deixe de ser tão apático...
Vá... viva...
Movimente o movimento rotineiro deixe do seu modo.
Mude as mudanças mundanas.

Mas pode ficar calmo...
E nem precisa querer contar com a sorte,
afinal se nada der certo, o final de tudo, você já sabe...
É a morte!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Saco Cheio




Basicamente é um texto de quem está de saco cheio... É bem esse o termo... Estou de SACO CHEIO de ouvir coisas sobre feminismo, sobre a sociedade machista, sobre racismo, sobre preconceitos em geral. Parem de alimentar o discurso e tenham atitudes!
Eu não represento aquilo que falo, sou muito mais atitudes do que palavras!!!
Dirão: “Nossa Gustavo, mas você trabalha com educação, como pode dizer que não é aquilo que fala?”
O que quero dizer é que posso falar muitas coisas, mas minhas atitudes devem ser percebidas e de forma positiva, não mal interpretadas. Darei um exemplo: um dia estava em um bar, quando fui passar por uma porta percebi que havia uma menina que também iria sair, empurrei a porta para que ela passasse antes, adivinha qual foi a frase que eu ouvi?
“Não vamos perpetuar essa sociedade machista! Passa você primeiro!”
Por alguns segundos não sabia muito bem o que pensar, não entendi o que estava acontecendo, mas tive um rápido reflexo para não comprar a briga e disse: “Ok, então vamos passar ao mesmo tempo!”
Agora por favor, alguém pode me explicar qual era o sentido de perpetuar uma sociedade machista? Foi apenas uma gentileza... Sempre faço isso quando estou entrando ou saindo de um banco, do banheiro da faculdade, seja com homens ou com mulheres. Então se eu segurar a porta para um homem passar estou perpetuando uma sociedade “feminista”?Ou será que estou afim desse cara?
Acho que hoje as coisas estão muito extremistas, radicais, não existe mais uma sensibilidade necessária para que possamos avaliar aquilo que acontece ao nosso redor.
“A maldade está nos olhos de quem vê!”
Vi um documentário esses dias: “O Riso dos Outros” https://www.youtube.com/watch?v=7Oom9bq4DrA&list=FLyo04qBTnwT1B0Rs2YY5enQ&index=2
Vários humoristas e personalidades falando sobre os tipos de piadas, que muitas tem conotação ofensiva, são de mal gosto e quer saber minha opinião?
Acho que cada um fala o que quer e pensa como quer! Continuo achando que o maior exemplo que podemos dar são nas atitudes! Claro que em uma sala de aula não vou dizer que é certo uma criança chamar a outra de viado, de macaco, ou rolha de poço, nem de mulherzinha por ter cabelo comprido, mas o fato é que não são apenas as palavras que representam o caráter de uma pessoa!
Existem tantas pessoas que tem uma pose de “politicamente corretas”e no fundo são piores do que aquelas que contam piadas sobre portugueses, podem acreditar!
O fato é que: por estarmos nessa sociedade acelerada, julgamos tudo aceleradamente. O cabeludo, barbudo, com roupa “largada” e tatuagem é vagabundo, não quer nada da vida, mal deve saber falar e na melhor das hipóteses só rouba, ainda não matou ninguém! Já o de cabelo penteado, barba feita, roupa social, sem tatuagem é bem sucedido profissionalmente, tem um foco de vida, deve ter uma bela retórica, é estudado, mas não deixem de lembrar dos queridos políticos que roubam bem mais do que o primeiro personagem!
Conclusão? Você pode tirar a sua, mas eu prefiro ficar com a frase do “Teatro mágico”: “Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Último dia




Caros incomodados, estou aqui para falar de algo que já falei algumas vezes, mas confesso que ainda continua incomodando: a ideia da morte!
Dessa vez gostaria de utilizar uma outra linguagem, não quero escrever nada que penso ou deixo de pensar sobre isso, mas sim a letra de uma música que está na minha cabeça durante dias e não está muito afim de sair. 
Dizem que para você esquecer uma música, que fica na sua cabeça, é necessário despender um pouco de tempo, mas essa regra não está sendo muito válida, por isso prefiro deixá-la na minha cabeça e aproveitar sua mensagem!

Então diga meu caro incomodado... O que você faria?


O Último Dia - Paulinho Moska

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Corria prum shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
...

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício?
Trancava a da delegacia?
Dinamitava o meu carro?
Parava o tráfego e ria?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria? {2x}

Me diz o que você faria? {2} 


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os Temperos dos Tempos



Ganhar tempo. Aproveitar tempo.
Perder tempo. Administrar o tempo.
Aproveitar o tempo. Perca tempo.
Administrar o tempo. Ganhe tempo.
Perceba o tempo. Perceber o tempo.

Quanto tempo tenho?
Quanto tempo falta?
Qual é o seu tempo?

Ontem o tempo passou!
Hoje o tempo passou!
Amanhã o tempo passará!

Tudo é tempo.
Nada tem tempo.

Somos nosso tempo de vida e o tempo que nos resta à vida.
Vivemos ou "tempemos"?
Você vive a sua vida ou apenas deixa o tempo vivê-la?
Você vive a sua vida ou perde tempo com a vida dos outros?

Tempo relativo... Futuro.
Tempo passageiro... Passado.
Tempo presente!

Tampe a temporalidade desse tempo tempestuoso, pois a temperatura depende dos temperos, das tentativas, de tu trazeres o tesão pela vida.

Tempere seu tempo...
Presenteie-se com seu tempo!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Poemando - Uma tarde qualquer




Abro os olhos...
Ao olhar pela janela entreaberta, percebo a dança das nuvens, escuto o som dos pássaros e encanto-me com o suave vento, que passa e balança os galhos das árvores cada uma em seu tempo.
Fecho os olhos...
Concentro-me no corpo.
Sinto a cabeça pesar.
Os olhos mexerem.
As batidas rítmicas do coração.
Sons do intestino trabalhando.
Sinto o ar entrando, pulmões e diafragma enchendo.
O sangue circula!!!
Por um instante me perco em minhas memórias... Ainda de olhos fechados...
Bons momentos, risadas, amigos, a ida até aquela cidade, a volta, a estrada e os carros.
A família, as promessas, os erros, os acertos, os medos, as certeza, prazeres e desprazeres.
A saudade, as dores, o agito, a tranquilidade.
Respiro fundo...Abro devagar os olhos...
Volto a olhar pela janela, as nuvens estão em outra posição, os pássaros em silêncio, o vento cessou e os galhos não se movimentam mais.
O corpo continua funcionando. Ainda vivo!
A memória rememorando, com todas as dualidades. Ainda viva!

Uma trilha para enfeitar: 

 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Curtir e compartilhar, o que você está fazendo?


A reflexão de hoje surge após uma aula da disciplina de Organização dos Processos Educativos de Educação e Infância:

Parece que viver sem refletir torna-se natural no momento atual.
Curtimos e compartilhamos, tudo muito rápido, fácil, vazio, mas o que fica? O que marca? Ou o que muda?
Educação e Infância...
Educação na Infância...
Educação Infantil...
Educação que estamos próximos, mas não temos ideia dos diversos contextos.
Infância que passamos (ou não) e agora tentamos entender, compreender, construir.
Ao reconfigurar ideias e possibilidades constrói-se outras ou novas bases.
Certo, errado...
Bom, ruim...
Coragem, medo...
Vontade, preguiça...
Qual será o sentimento adequado? Existe o adequado? 
Refletir torna-se mais importante do que indicar as certezas.
Refletir sobre outros mundos, com novos olhos.
Entrarmos em um espaço de uma forma e sair de outra, tentando auxiliar que outros também possam sair mexidos, tocados, mudados, incomodados, ou não...
Afinal, esse seria apenas um olhar, uma reflexão!

Foto de Sebastião Salgado
Roupa suja, olhos serenos... E você, o que está vendo?
Vejo uma criança, sofrida, com vontades e necessidades.
Talvez buscando um apoio maior do que a cabeça apoiada em sua mão.
Querendo novas roupas...
Um banho...
Um pouco de carinho...
Um novo sonho!
Sonhando com comida, com fome de mais vida.
Imaginando brincar,
Imaginando o que seria brincar, ou como poderia brincar.
Talvez abraçar... Mas talvez compaixão não seja a solução.
Então o que não tem solução, solucionado está?
Ficamos inertes, parados como a criança da foto. Curtindo e compartilhando, sentados, claro!Seria muito mais adequado, não?!?
Roupa suja, olhos serenos... E você, o que está vendo?
E nós o que vamos fazer?
Em aglum momento, novos horizontes, com novos olhos, poderemos alcançar!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Xadrez da educação, da ciência, da vida





Texto desenvolvido após trabalho realizado baseado em crônicas de Rubem Alves (http://www.polbr.med.br/arquivo_99.php), específicamente o texto VI.


Imaginemos o mundo feito de apenas de ciências...O que seria do amor e das paixões?
Imaginemos o mundo feito de apenas uma ciência... Tudo dependendo de um método, uma resposta.
Imaginemos o mundo feito de apenas uma verdade... Por exemplo, que todos nós iremos morrer.
Imaginemos o mundo feito de apenas a sua verdade!!! Todos deveriam querer reviver tudo o que já passaram na vida, desde as piores dores até as maiores alegrias. 

 Como diz Rubem Alves sobre o personagem:
“Sua metafísica era quadriculada. Deus é o rei. A rainha é nossa senhora. O adversário são as hostes do inferno.”
 Imaginemos então o xadrez da educação:
 Tabuleiro seria a sala de aula.
O diretor é o rei, deve ser defendido por “suas” peças, mas ao mesmo tempo atacado por outras.
A torre os coordenadores, conseguindo alcançar grandes distancias.
O professor a rainha, autônoma, podendo andar para todos os lados, por todo o tabuleiro.
O bispo seria o auxiliar de classe, com autonomia de movimentos até uma determinada direção.
O cavalo seria um tipo de aluno, que arrisca mais, tem mais visibilidade na sala, mas nem sempre consegue se sair bem.
Finalmente os peões, seriam os alunos, muitas vezes sacrificado pelo jogador, outros tem o objetivo de virar uma rainha.

Mas quem seria "o jogador"?  

Talvez essa seja a peça mais importante, essa é a formação pedagógica que temos ao longo do caminho, para que possamos conseguir trabalhar as peças dentro do tabuleiro. O fato é que quando entramos em uma nova sala de  aula, um novo contexto é aberto, um outro jogo é iniciado e nos resta aprender esse novo jogo, as novas regras.
A ciência pode ser exata e correta, mas em algum momento pode-se provar o contrário, foi assim com as tonsilas, com a manga e o leite, com a ideia de lavar a cabeça quando está menstruada e poderá ser assim com vida em outros planetas, com o fato de os seres humanos respirarem apenas o oxigênio, ou ainda de nascerem ou sendo homem, ou sendo mulher e até mesmo a morte não ser um momento de dor, pois ela poderia ser uma grande arte!
 Como dirá Rubem Alves: “A ciência é muito boa - dentro dos seus precisos limites. Quando transformada na única linguagem para se conhecer o mundo, entretanto, ela pode produzir dogmatismo, cegueira e, eventualmente, emburrecimento.”
 Isso mesmo, a ciência também pode emburrecer, uma vez que esta poderá ser a representação de um único sentido, quando a vida é feita de muito mais do que apenas verdades, que podem mudar de direção, podem evaporar com o calor, sumir como em um passe de mágica e deixar de fazer sentido assim como pode ser a paixão que não se transforma em amor.
Esse é o xaque mate da vida na ciência!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Poemando"




Pensar na morte
Pensar na morte, não me faz morrer,
mas pensar na morte pode me auxiliar a viver.
Caminhando por entre a vida e vivendo permeado de morte,
não me dá nenhum suporte!

Trabalhar estudar correr
Dirigir escrever pensar
Conversar compartilhar comer
Brigar amar falar...

Ufaaa.... mais folego....

Chorar defecar rir
Lavar olhar sentir
Jogar banhar discutir
Ganhar perder partir...

E o que a gente leva da vida?

Estar vivo e viver são duas coisas diferentes.
Penso logo existo dirão...
E quem disse que existir é viver?
Podemos existir e estarmos ausentes.

Ausente das experiências,
ausente por medo,
ausente para os parentes,
ausente do verdadeiro enredo.

Distante desse enredo da vida que pode retornar eternamente,
em busca de um além do homem,
talvez alcançado pela solidão.
Dane-se, Deus está morto e você ainda não!

Não deixe o dia te engolir,
não deixe a vida passar,
bem ou mal, certo ou errado.
Esqueça! A vida não é um quadrado.

Pretende viver esteticamente estático?
Deixe de ser tão apático...
Vá... viva...
Movimente o movimento rotineiro deixe do seu modo.
Mude as mudanças mundanas.

Mas pode ficar calmo...
E nem precisa querer contar com a sorte,
afinal se nada der certo, o final de tudo, você já sabe...
É a morte!
















sexta-feira, 8 de março de 2013

Volatilidade: Chávez,Brown, Mulher e amanhã?






Definitivamente não vou escrever sobre o dia da mulher (claro que fica aqui registrado o parabéns para todas, apesar de não achar necessária uma data especifica para simbolizar o dia das mulheres), pois tem uma questão "cutucando" um pouco mais. Não consegui me conter e diante dos fatos preciso escrever.
Fico cada vez mais  surpreendido com a volatilidade do momento em que vivemos, alguns momentos até mesmo assustado. Mal temos tempo de sentir as coisas e já surgem outras e todos alimentam como se fosse tudo muito comum, mas será que só eu fico assustado com essa velocidade, como a volatilidade existente nas informações?
Nesses últimos três dias, tive a prova concreta de como as noticias são voláteis e consequentemente a necessidade de sentirmos, raciocinarmos e assimilarmos tudo muito mais rápido, absorver tudo imediatamente, como se tudo fosse posto goela abaixo.

Dia 06/03/2013, morre Hugo Chávez, presidente da Venezuela,  vitima de câncer, aos 58 anos. Surgem diversas discussões: a vida militar, inicio do governo, amigos e inimigos, consolidação do poder, descoberta do câncer, problemas com EUA, reeleição para o quarto mandato consecutivo. Pessoas tratando como um Deus, outros tratando como Demônio. E assim passa o dia, nos sites, redes sociais, nos jornais, nos telejornais e até mesmo no humor jornalístico:

 
Dia 07/03/2013, todos amanhecem com a notícia da morte de Chorão, Alexandre Magno Abrão, vocalista da banda Charlie Brown Junior. Encontrado morto em seu apartamento, aos 42 anos. Surgem novos fatos, mais assunto. Cantor, letrista, ídolo, drogado, depressão por causa da ex mulher, briga com parceiros de banda, famosos comentando sobre a morte, morreu do que? Julgamentos, incertezas e mais uma vez, machetes em sites, redes sociais, tele jornais, jornais e até mesmo no humor jornalístico (e olha que por incrível que pareça conseguiram unir os dois fatos):


Dia 08/03/2013, dia internacional da mulher. Pronto... Acabou Chávez, acabou  Brown, acabou até mesmo Bento XVI, talvez tenhamos um resquício de Bruno (condenado pela morte de  Eliza Samudio) afinal existe uma próxima relação com mulheres. Mas definitivamente o dia hoje é das mulheres. Propagandas, nas ruas, tv, jornais, rede sociais, mensagens.


Dirão: “As notícias mudam, temos que não informar!” Correto, concordo. Porém conseguimos ter uma capacidade de absorver sentimentos e sensações tão rapidamente? Qual a resposta do nosso corpo para esse excesso de informações? Seres humanos, menos humanos?
Talvez possamos pensar em algo ao refletir sobre tanta informação, mas a dúvida é:

E amanhã? Qual será a notícia?
Alguém arrisca?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Que sei eu?



A velha máxima de Michael de Montaigne nos remete ao exercício de filosofar e estar questionando-se todo o tempo. Não existe uma chave para que as coisas possam ser decifradas, porém como as coisas funcionam?
A forma ensaística de Montaigne de escrever auxilia no processo de desconfiar daquilo que é afirmado e pré estabelecido. O autor relata que os professores de sua época (28 fevereiro de 1533 a 13 setembro de 1592), eram um tanto quanto pedantes, o questionar não era valorizado, mas e hoje? 
Em nossas salas de aula os estudantes são estimulados a questionar? 
O que dizer dos estudantes que dizem saber o que querem falar, mas não conseguem saber de que forma? Ou como expressar-se?
Sem saber as questões existentes em uma criança, o que podemos, ou de que forma poderemos auxiliar na formação humana? 
Será que dar voz para essas crianças não seria uma boa forma de saber quais caminhos seguir na educação?
Essas reflexões partem do texto de Divino José da Silva (UNESP) - "O Ensaio em Montaigne: Um Estilo em Filosofia da Educação", que foi comentado na disciplina de Seminário de Dissertação pela professora Lúcia Hardt, auxiliado pelas reflexões do capítulo XXVII - Ensaios, Livro I -  "Da loucura de opinar acerca do verdadeiro e do falso unicamente de acordo com a razão" e capítulo XXXI "Dos Canibais", ambos de Montaigne.
O ponto principal - porém longe de trazer respostas prontas, ou ainda prescrever algo exato - é continuar exercitando o "que sei eu?"
O exercício de não acreditarmos no primeiro instante em tudo aquilo que ouvimos ou ainda tentar analisar as coisas de um ponto de vista menos carregado de pré julgamentos torna-se fundamental em uma relação pedagógica.
Cabe nesse instante uma passagem do capítulo XXVII "aprendêssemos com exatidão a diferença entre uma coisa e outra, entre o que está contra a ordem e a natureza, e o que se situa simplesmente fora do que admitimos comumente, entre não acreditar cegamente e não duvidar com facilidade."
Ainda cabe lembrar outra passagem "a glória e a curiosidade são dois flagelos de nossa alma; esta nos impele a meter o nariz em tudo; aquela nos proíbe deixar seja o que for sem decisão ou solução", volta-se ao ponto de necessidade de questionar-se a todo tempo.   
Porém vale lembrar que em muitos momento as pequenas coisas - talvez o questionamento de uma criança - pode auxiliar em diversos momentos a aprendizagem, nos desprendando daquilo que consideramos maior - talvez o saber do professor. Como um embasamento para essa ideia utilizo as palavra de Divino José da Silva: "por que ler Montaigne, ainda hoje? (...)  Montaigne é comparado, por Renato Janine Ribeiro (2004, p. 221), a Pascal e Nietzsche, pois tem em comum com estes autores o aguçamento dos sentidos e da razão para "[...] agarrar o pequeno, o detalhe, a falha e a partir dele pensar. Não é pensar pela porta grandiosa, a do cânone, a do registro solene; é pensar pela porta vadia, pela exceção, pelo que é torto, pelo que foge ao cânome."
Não tendo a pretensão de escrever com prescrição, deixo a você leitor, ideias para pensar!





terça-feira, 18 de setembro de 2012

Estamos preparados para desconstruir?



Baseado na discussão da aula de Filosofia do mestrado, do texto de Jorge Luiz Viesenteiner (Dr. em Filosofia pela UNICAMP) "Aprender a ver, aprender a pensar, aprender a falar e escrever: condições integrantes do conhecimento de Bildung no crepúsculo dos ídolos de Nietzsche", me inspirei a escrever um breve texto.
Nem sempre aquilo que imaginamos é aquilo que acontece no seu final, não temos esse controle pleno dos resultados e da vivência que buscamos. Ao estarmos no meio do desejo acabamos ludibriados, deixando de ver aquilo que realmente é.
Surge, portanto, o espírito livre que enfrentaria o espírito cativo, ou seja, na necessidade de questionar-se sobre o que seria o bem e o mal, o forte e o fraco, o falso e o verdadeiro, quando muitas vezes acreditamos nisso ou naquilo muito mais por força de um hábito já existente, surgindo dessa forma a hipocrisia humana. Ao afirmar o caos e sua existência, a vida firmada pode ter mais valor do que a vida renunciada. 
O que queremos como professores? Formar seres humanos melhores, ou apenas formar seres humanos que "pensam melhor"? Ou ainda, o que seria um "ser humano melhor"? Colocar-se a prova para cultivar-se e formar-se não seria um caminho para torna-se melhor?
Ninguém planeja as dores, perder um amor, ter uma doença, perder o emprego, morrer, mas são processos necessários para compreender e saber como viver a vida, isso tudo faria parte do Pathos.
Todo esse movimento acontece devido a forma que aprendemos a ver, pensar, ouvir, falar e escrever. 
Para o verdadeiro ver, não pode existir a imediaticidade do momento, deve-se agir com paciência, compreendendo o que é posto, por mais que isso possa nos indignar, muitas vezes a atitude imediata nos devolve respostas não almejadas. Necessitamos um distanciamento do momento vivido para conseguir o discernimento para uma atitude, algo que talvez seja muito complexo em uma sociedade tão imediatista. 
O pensar faz parte do distanciamento, para uma nova reflexão, possibilitando nova análise e nesse ponto podendo ter um parecer mais consciente e talvez adequado. 
Ouvir, até mesmo o silêncio, aquilo que não está posto, ouvir o complementar, aquilo que não parece ser importante, pode ser a fonte para as respostas certas que precisamos dar. 
Posteriormente falar e escrever com prioridade, que seria a síntese de toda essa construção anterior, a interlocução entre o ver, pensar e ouvir. Já diria Nietzsche que toda a pressa é indecente. 
Percebe-se que muitas vezes ler um autor nos faz defendê-lo de todas as formas, porém é importante tentar compreender qual o ponto que ele necessita chegar para tal discussão, qual o contexto em que ele está inserido, deve-se suportar alguns pontos os quais julgamos insuportáveis, necessitamos desconstruir aquilo que já recebemos pronto para então conseguirmos chegar em uma nova reflexão. 
A tarefa não é simples e em muitos momentos não temos o discernimento para a compreensão, mas apenas a prática pode nos levar próximos da perfeição e a tarefa não poderia ser fácil, os caminhos nunca serão liso e retos, no momento em que as dificuldades surgem é que temos e podemos sentir o verdadeiro gosto de uma conquista.


Acredito que o texto analisado mostra alguns pontos importantes, os quais nos faz pensar qual realmente seria o papel do mestre. Criar seres humanos melhores? Tornar os seres humanos mais pensantes?
Mas o que seria melhor? O que é ser melhor?
Estamos preparados para o enfrentamento das decepções sem frustrações e sem culpa?
Somos seres minados de paciência, ou o excesso de velocidade e necessidades nos arrasta para um universo muito mais imediatista?
Somos suficientemente capazes de ter paciência para não termos reações imediatas à aquilo que ilustra nossa visão? Ou ainda sabemos dançar (pensar) sem seguir os passos pré estabelecidos?
Temos tempo suficiênte para ouvir o silêncio? Ou ainda conseguimos ouvir nossa própria voz?
Ou estamos adestrados a ouvir apenas aquilo que os outros já nos fala?
Até que ponto conseguimos nos permitir e ao mesmo tempo nos deixar perder o controle?
Toda a pressa é indecente, diria Nietzsche, mas hoje em dia quem não vive com pressa?  Quem não quer saber a última informação?
E quando não temos mais o controle, conseguimos lidar com a frustração? Ou isso nos deixa ainda pior?
A certeza nos enrigesse de tal forma que esquecemos o valor e o prazer de termos dúvidas, porém vivemos em um momento que para tudo temos uma certeza. O método tem uma forma de ser trabalhado, o professor tem um padrão para ser seguido, temos definida a idade em que podemos dirigir e a que podemos votar, regras, leis, ordens, condutas, traça a forma e o roteiro que devemos seguir, uma vez que a vida, a nossa vida, deveria ser levada do nosso jeito, mas onde está a liberdade que damos a nós mesmos?
Nietzsche, dito extemporâneo, já alertava da necessidade de não sermos imediatistas em nossas atitudes, o que ele diria hoje em uma sociedade, a qual o imediatismo é o padrão a ser seguido?
Talvez todas essas perguntas não tenham respostas, mas talvez essa seja a forma para "construirmos" seres humanos melhores.