sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Mágicas da Formação



Constituímo-nos nas diferenças.
Talvez a maior dádiva e o maior castigo que recebemos durante a vida.
Somos seres que pensam, sentem e realizam as coisas de diferentes formas.
Não temos o poder sobre o outro, muito menos sobre outros.
Assim sendo, como conseguir ser um bom professor?
Como unir toda essa dissonância em uma direção que possa favorecer o processo de formação para o outro?

Talvez iniciarmos com mudanças em nós mesmos seja um bom começo.
Está tudo muito rápido? Vai mais devagar!
Está devagar demais? Acelera um pouco!
Muito preto e branco? Coloca uma cor, duas ou três!
Caso esteja muito colorido, acrescenta o preto e branco.
Está tudo espalhado no alto? Joga tudo no chão!
Caso esteja com o chão bagunçado, coloca no alto!
As crianças estão correndo muito? Vamos brincar de estátua!
Estão muito paradas? Vamos brincar de pega pega!

Temos outras soluções...
Está muito rápido? Acelera mais ainda!
Muito devagar? Para de uma vez!
Muito sem cor? Joga o branco!
Muito colorido? Espalha mais verde, amarelo, azul, vermelhor, roxo, rosa, laranja!
Muito no alto? Joga mais alto ainda!
Muito espalhado no chão? Acaba de espalhar o resto!
As crianças correndo muito? Vamos brincar de pega pega!
As crianças estão paradas? Vamos brincar de estátua!

Não entendeu?
Então compreenda: algumas coisas simplesmente não tem uma receita pronta.
Você precisa testar, arriscar, apostar, acreditar e de repente a solução você poderá encontrar!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um dia de cada vez - Flor do Campus


Primeiro dia de intervenção

Confesso que estava ansioso para aplicar a atividade com o G2 (crianças com idade entre 1 ano e meio e dois anos), no Flor do Campus. Acredito que não ter tanta experiência com essa faixa etária, com certeza era um dos motivos para fazer a ansiedade aumentar.
Ao mesmo tempo em que temos tanta coisa para aprender com as crianças, nos sentimos, ou melhor sinto-me na obrigação de proporcionar algo marcante para elas. Não algo que obrigatoriamente elas possam aprender, reproduzir, decorar como fazer, mas algo que possa ser significativo.
Por mais que tudo esteja organizado, a atividade, os tempos, os procedimentos, tudo sempre passa por diversas possibilidades, devido à imprevisibilidade do ser criança.
Tão imprevisíveis que podem passar da alegria extrema para o choro compulsivo em segundos.
Pode ficar super atenciosa com algum barulho e de repente se dispersar ao ver um fantoche de palito.
As crianças são breves... Breves como muitos momentos em nossa vida, desde os alegres até os tristes.
As crianças são breves... Breves como o tempo em que um beija flor para de bater as asas.
As crianças são breves... Breves como nossa própria vida.
As crianças são simplesmente breves.
Sinto esse poder delas de mudarem seu humor como o tempo que o vagalume, acende e apaga.
E isso tudo é muito encantador.
Planejamos contar uma história e interagir com fantoches de palito, mas não tivemos história contada, apenas imagens mostradas e uma grande interação com os bonecos de palito.
As coisas começaram a ficar mais interessantes quando fomos para a área externa, para plantar os corações de papel.
Enquanto um cavava a terra, os outros distraiam-se com outros atrativos do espaço.
Aos pouco um a um, foram plantando os corações. Não sei bem se entendiam o que estavam fazendo, se compreendiam o motivo, mas estava prazeroso, vê-los mexer na terra e ao mesmo tempo divertindo-se de um lado para o outro.
Corpos soltos pela grama...
Hora da sala de arte. Pintar com cola colorida os potes que seriam os futuros vasos.
Alguns tímidos, não ousavam colocar a mão na cola, preferiam o pincel. Outros achavam melhor colocar um dedo e outros a mão toda.
Cada um em seu tempo, do seu modo, com suas ideia, colorindo o pote. Experimentando a nova textura, as cores, a bagunça.
Alguns acabaram logo, outros não queriam acabar, mas era hora de limpar as mãos para sujar mais uma vez. Dessa vez com terra.
Voltamos para a sala com os potes e descobrimos uma nova tática, quando dizíamos que seria contado um segredo, todos ficavam em silencio. Divina mágica.
Mostramos as mudas de plantas e dissemos que naquele momento eles iriam plantar.
Mais uma vez a festa estava armada. Todos para fora, cada um com seu pote, sentados em roda e um saco de 5 kg de terra no meio deles, portanto, mão na massa!!!
Terra para todos os lados. Na mão, na roupa, no tênis, na camiseta, terra que não acabava mais. Potes pela metade, hora de colocar as sementes. Depois mais terra. Diversão incrível, que era até difícil livrarem-se dos potes, uns choravam, enquanto outros preferiam virar o pote com a terra e com todas as sementes dentro!
Aos poucos, acalmando os chorões, replantando os que haviam jogado a terra fora, tudo foi se acalmando e foram voltando para a sala.
Era hora de nos despedir, pois a outra turma estava chegando. Agora vamos esperar para o que nos aguarda na próxima semana!!


Segundo dia de intervenção.

A ansiedade é menor, porém sinto que temos poucas atividades e muito tempo, mesmo assim tinhamos algumas "cartas na manga". 
Quando chegamos, somos avisados que o lanche das crianças seria depois de meia hora do inicio de nossas atividades.
Também tivemos uma ótima noticia de que na segunda-feira, após nossa atividade de plantar os corações de papel, a primeira coisa que as crianças fizeram foi procurar para verificar se eles havia brotado.
Fico mais tranquilo, pois tenho absoluta certeza que iremos ocupar esse tempo tranquilamente.
Cumprimentamos as crianças, que mesmo depois de me olharem sem barba, ainda insistem em me chamar de pai (talvez essa seja uma reflexão para um próximo texto).
A primeira atividade programada é colher as flores de papel, as quais já estavam colocadas em seus devidos locais. Quando as primeiras crianças chegam, expressam um olhar de espanto e surpresa.
Aos poucos vamos distribuindo as flores, pois cada uma tinha o nome de uma das crianças.
Depois elas voltam para a sala de aula. Apesar de algumas deixarem as flores pelo caminho, uma das crianças pegava e ia formando um buque com essas que haviam sido deixadas.
A atividade na sala eram três filmes relacionados com músicas de plantas e isentos.
Com o ambiente devidamente preparado, com um lençol improvisado que servia de telão, para a sessão de cinema.
As crianças ficam vidradas nos vídeos e prestam muita atenção. Algumas balançando levemente a cabeça no ritmo da música, outras repetindo algumas palavras.
A mãe de uma das crianças chega e ficamos com o grupo mais reduzido. Inicialmente com seis crianças, agora estava com cinco.
Logo após o filme buscamos as mudanças que elas haviam plantado na primeira aula para que possam ser regadas. Cada uma rega um pouco de cada planta e mostramos para elas onde cada uma está brotando.
Após cuidarmos das plantas, passar álcool nas mãos, pois é hora do lanche.
Bola, bolacha, gelatina e suco.
Alguns comendo timidamente, outros sem nenhuma cerimonia, colocando tudo na boca de uma vez, até perceberem seus limites!
É encantador perceber como cada um vai descobrindo a comida, estranhando o gosto, sentindo a textura, a sensação de tocar a gelatina.
Cada um em seu ritmo - como de costume - pedindo mais, outros satisfeitos. Aos poucos todos vão acabando e voltando para a sala.
Voltamos com as crianças para a sala.
Sinto uma sensação boa, de um “dever” cumprido, mas algo antes de tudo prazeroso. Estar perto das crianças, tentar sentir o tempo delas, sentir as vontades delas, exercendo a alteridade e buscando de alguma forma absorver um pouco desse universo, pelo qual já passamos e ao mesmo tempo parece-nos tão distante.
O que elas aprenderam?
Prefiro não pensar sobre isso.
O tempo da criança não é o nosso, logo a forma de assimilação delas é outra, portanto prefiro que o tempo delas encarregue-se de mostrar o que vale ou não ser lembrado.
Busco uma forma de formar o outro e me formo, nesse processo que em muitas vezes deixamos de perceber sua mão dupla!

Cabe aqui o agradecimento do nosso grupo de trabalho (Ana, Gustavo, Pamela) para todos do Flor do Campus que nos auxiliaram. Coordenadora Seandra, professora Lais e auxiliares, Tuani e Aline. Claro que nosso agradecimento à professor Gabriele Nigra que nos proporcionou essa experiência.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os Temperos dos Tempos



Ganhar tempo. Aproveitar tempo.
Perder tempo. Administrar o tempo.
Aproveitar o tempo. Perca tempo.
Administrar o tempo. Ganhe tempo.
Perceba o tempo. Perceber o tempo.

Quanto tempo tenho?
Quanto tempo falta?
Qual é o seu tempo?

Ontem o tempo passou!
Hoje o tempo passou!
Amanhã o tempo passará!

Tudo é tempo.
Nada tem tempo.

Somos nosso tempo de vida e o tempo que nos resta à vida.
Vivemos ou "tempemos"?
Você vive a sua vida ou apenas deixa o tempo vivê-la?
Você vive a sua vida ou perde tempo com a vida dos outros?

Tempo relativo... Futuro.
Tempo passageiro... Passado.
Tempo presente!

Tampe a temporalidade desse tempo tempestuoso, pois a temperatura depende dos temperos, das tentativas, de tu trazeres o tesão pela vida.

Tempere seu tempo...
Presenteie-se com seu tempo!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Poemando - Uma tarde qualquer




Abro os olhos...
Ao olhar pela janela entreaberta, percebo a dança das nuvens, escuto o som dos pássaros e encanto-me com o suave vento, que passa e balança os galhos das árvores cada uma em seu tempo.
Fecho os olhos...
Concentro-me no corpo.
Sinto a cabeça pesar.
Os olhos mexerem.
As batidas rítmicas do coração.
Sons do intestino trabalhando.
Sinto o ar entrando, pulmões e diafragma enchendo.
O sangue circula!!!
Por um instante me perco em minhas memórias... Ainda de olhos fechados...
Bons momentos, risadas, amigos, a ida até aquela cidade, a volta, a estrada e os carros.
A família, as promessas, os erros, os acertos, os medos, as certeza, prazeres e desprazeres.
A saudade, as dores, o agito, a tranquilidade.
Respiro fundo...Abro devagar os olhos...
Volto a olhar pela janela, as nuvens estão em outra posição, os pássaros em silêncio, o vento cessou e os galhos não se movimentam mais.
O corpo continua funcionando. Ainda vivo!
A memória rememorando, com todas as dualidades. Ainda viva!

Uma trilha para enfeitar: 

 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Poemando - Atitudes Difusas





Rebelam-se ideias instigando soluções: imediatas, futuras e talvez determinantes.
Direciona-se para um caminho: incerto, inóspito, rústico, indelicado.
Tomam-se as atitudes e recebemos outras como reação.

Julgar? Ignorar? Revidar?


Voltemos à natureza...

Busquemos o sossego de um bosque.
A possibilidade de novas conexões neuronais.
Ao som da água correndo, com os primeiros raios de um novo dia, ou com a brisa de uma noite fresca.
Voltemos à natureza...

Aproveitemos nossos corpos...
Correr, suar, gritar, chutar.
Fatores fundamentais para extravasar.
Auxiliando a não pensar, ou pelo menos pensar de outra forma.

Busquemos a tranquilidade em nosso interior inquieto.
O discernimento dos fatos.
Percebamos a efemeridade da vida e apenas vivamos!
Vivamos...

Olhe do alto, de onde se pode observar o mar, céu, areia, onde possa lembrar; relembrar, reviver, agradecer, como se fosse a primeira vez.

Respiremos...
Descobrir outros caminhos para descer, subir, entrar e sair.
Respiremos...
Para que assim possamos nos acalmar, relaxar, “distencionar”, com intensão, mas não vamos esquecer que atitudes difusas sempre existirão.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Criança frágil?






Por que pensar em uma criança frágil? Desprovida de saberes? Sendo que mal sabemos o quanto ela sabe, muitas vezes julgamos e mal sabemos quem, ou por que, apenas julgamos, pois assim nos foi ensinado, assim vemos na TV. Assim vemos o outro fazer, e até mesmo em casa.
Discutimos o mesmo assunto – a criança – sem nos colocar no lugar delas, sem entender se queremos educar ou formar, abraçados em um livro, uma teoria e longe de experienciarmos, longe de nos colocar no lugar dela, por não saber, por preguiça, ou simplesmente por medo, de errar, de não saber ou de não conseguir...
Só acreditaria em um deus que soubesse dançar, como diria Nietzsche. A dança é o movimento, a variação de uma posição para outra que não estamos acostumados. O variável torna-se estranho, diferente, novo, criativo, corpóreo, efêmero, uma nova nuance, uma nova linguagem, em outra perspectiva, desarmada do tempo, da moral, ou da obrigatoriedade, desamarrada, solta.
Por que não dizer que a formação é a dança de novas descobertas, de novas linguagens?
A criança o coreógrafo, aquela que desperta novas linguagens!
Formar é dançar ideias, novas e antigas, outras linguagens, na coreografia entre corpo, conceitos, vontades e necessidades. É importante permitir-se e permitir que o outro possa sentir essa dança e ser parte dela.
A dança da formação, a dança da vida!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Curtir e compartilhar, o que você está fazendo?


A reflexão de hoje surge após uma aula da disciplina de Organização dos Processos Educativos de Educação e Infância:

Parece que viver sem refletir torna-se natural no momento atual.
Curtimos e compartilhamos, tudo muito rápido, fácil, vazio, mas o que fica? O que marca? Ou o que muda?
Educação e Infância...
Educação na Infância...
Educação Infantil...
Educação que estamos próximos, mas não temos ideia dos diversos contextos.
Infância que passamos (ou não) e agora tentamos entender, compreender, construir.
Ao reconfigurar ideias e possibilidades constrói-se outras ou novas bases.
Certo, errado...
Bom, ruim...
Coragem, medo...
Vontade, preguiça...
Qual será o sentimento adequado? Existe o adequado? 
Refletir torna-se mais importante do que indicar as certezas.
Refletir sobre outros mundos, com novos olhos.
Entrarmos em um espaço de uma forma e sair de outra, tentando auxiliar que outros também possam sair mexidos, tocados, mudados, incomodados, ou não...
Afinal, esse seria apenas um olhar, uma reflexão!

Foto de Sebastião Salgado
Roupa suja, olhos serenos... E você, o que está vendo?
Vejo uma criança, sofrida, com vontades e necessidades.
Talvez buscando um apoio maior do que a cabeça apoiada em sua mão.
Querendo novas roupas...
Um banho...
Um pouco de carinho...
Um novo sonho!
Sonhando com comida, com fome de mais vida.
Imaginando brincar,
Imaginando o que seria brincar, ou como poderia brincar.
Talvez abraçar... Mas talvez compaixão não seja a solução.
Então o que não tem solução, solucionado está?
Ficamos inertes, parados como a criança da foto. Curtindo e compartilhando, sentados, claro!Seria muito mais adequado, não?!?
Roupa suja, olhos serenos... E você, o que está vendo?
E nós o que vamos fazer?
Em aglum momento, novos horizontes, com novos olhos, poderemos alcançar!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Xadrez da educação, da ciência, da vida





Texto desenvolvido após trabalho realizado baseado em crônicas de Rubem Alves (http://www.polbr.med.br/arquivo_99.php), específicamente o texto VI.


Imaginemos o mundo feito de apenas de ciências...O que seria do amor e das paixões?
Imaginemos o mundo feito de apenas uma ciência... Tudo dependendo de um método, uma resposta.
Imaginemos o mundo feito de apenas uma verdade... Por exemplo, que todos nós iremos morrer.
Imaginemos o mundo feito de apenas a sua verdade!!! Todos deveriam querer reviver tudo o que já passaram na vida, desde as piores dores até as maiores alegrias. 

 Como diz Rubem Alves sobre o personagem:
“Sua metafísica era quadriculada. Deus é o rei. A rainha é nossa senhora. O adversário são as hostes do inferno.”
 Imaginemos então o xadrez da educação:
 Tabuleiro seria a sala de aula.
O diretor é o rei, deve ser defendido por “suas” peças, mas ao mesmo tempo atacado por outras.
A torre os coordenadores, conseguindo alcançar grandes distancias.
O professor a rainha, autônoma, podendo andar para todos os lados, por todo o tabuleiro.
O bispo seria o auxiliar de classe, com autonomia de movimentos até uma determinada direção.
O cavalo seria um tipo de aluno, que arrisca mais, tem mais visibilidade na sala, mas nem sempre consegue se sair bem.
Finalmente os peões, seriam os alunos, muitas vezes sacrificado pelo jogador, outros tem o objetivo de virar uma rainha.

Mas quem seria "o jogador"?  

Talvez essa seja a peça mais importante, essa é a formação pedagógica que temos ao longo do caminho, para que possamos conseguir trabalhar as peças dentro do tabuleiro. O fato é que quando entramos em uma nova sala de  aula, um novo contexto é aberto, um outro jogo é iniciado e nos resta aprender esse novo jogo, as novas regras.
A ciência pode ser exata e correta, mas em algum momento pode-se provar o contrário, foi assim com as tonsilas, com a manga e o leite, com a ideia de lavar a cabeça quando está menstruada e poderá ser assim com vida em outros planetas, com o fato de os seres humanos respirarem apenas o oxigênio, ou ainda de nascerem ou sendo homem, ou sendo mulher e até mesmo a morte não ser um momento de dor, pois ela poderia ser uma grande arte!
 Como dirá Rubem Alves: “A ciência é muito boa - dentro dos seus precisos limites. Quando transformada na única linguagem para se conhecer o mundo, entretanto, ela pode produzir dogmatismo, cegueira e, eventualmente, emburrecimento.”
 Isso mesmo, a ciência também pode emburrecer, uma vez que esta poderá ser a representação de um único sentido, quando a vida é feita de muito mais do que apenas verdades, que podem mudar de direção, podem evaporar com o calor, sumir como em um passe de mágica e deixar de fazer sentido assim como pode ser a paixão que não se transforma em amor.
Esse é o xaque mate da vida na ciência!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pensar



Branco...Preto...Nada e muitas coisas, ou melhor, vazio...
Sem saída ou nova partida? Racional, emocional?
Dúvidas, apenas possibilidades para buscarmos certezas, as quais não se sabe, certo ou errado? Portanto, certezas incertas.
Errar e acertar, dependente de muitos pontos, muitos sentimentos, sofrimento, medos, fraquezas, alegrias, desejos e saudades.
E qual seria o objetivo de escrever?
Talvez aliviar, compartilhar, ou simplesmente desabafar, ainda no intuito de entender, mas o que? Por quê? De onde veio e para onde vai? Dor...
Questionamentos que não necessitam respostas, não busca julgamentos, quer dizer! Mas não cobrar, alimentar a sede de viver e de estar. Porém as pernas são curtas, o fôlego parece pouco, as palavras escassas e as dores múltiplas.
Dores necessárias que auxiliam a crescer e quem sabe amadurecer, pois como em um texto escrito pela segunda vez, nunca será pior do que a primeira versão, após sofre nunca voltaremos a ser "piores" do que antes.
Talvez dormir, acordar em alguns dias, como em um passe de mágica, tudo mudado, de outra forma, cores novas, mas os sentimentos, realmente sinceros, não mudam, não somem, não voam com o vento, as marcas sinceras permanecem, na pele, no coração, na alma. 
Claro; tudo sempre permeado pelo senhor da verdade, o tempo. Possivelmente ele possa rabiscar o branco, o preto, dizer o que é tudo, o que poderia ser o nada, preencher o vazio, ou ainda responder as perguntas carregadas por ele mesmo, o tempo, até a lua...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Você está com frio?







Olá incomodados.
O asfalto é frio, a brisa não é mais refrescante, proporciona uma sensação até desagradável, parece uma pancada nos ossos.
O movimento na rua é menor, as pessoas ficam mais encolhidas, o cheiro de guardado e/ou de naftalina ficam no ar e as vezes demoram para sair das roupas. 
A fome parece aumentar, assim como as vontades de ir ao banheiro e os programas em casal ficam entre restaurantes e casa de outros amigos, longe de praias ou festas abertas. 
O refrigerante e sucos, dão lugar ao chá e ao chocolate quente e para alguns até a cerveja acaba sendo substituida pelo vinho, conheque ou até um whisky.
Esses são reflexos do frio, que por sinal nesse ano veio forte na maioria dos estados do Brasil, mas o ponto que quero chegar é: E o pessoal que mora na rua?
Nesse momento você pode estar muito bem acomodado em seu sofá, com gorro, meias, calças, blusas, ou na sua cama, macia e aconchegante, de repente até mesmo deitado enrolado nas cobertas e pode agradecer por isso, pois tem muitos que estão sem nada. 
Não estou aqui para pensar nos motivos pelos quais cada uma dessas pessoas está na rua, muito menos para julgar esses motivos, mas o fato é: essas pessoas existem e estão lá, nos cantos das ruas, aconchegados com papelão, no meio de panos que nem podem ser considerados cobertores, para tentar manter a temperatura do corpo e com algumas roupas, muitas vezes doadas e alguns por sorte, ou não, estão em abrigos.
E sabe o que mais me deixa indignado? É que vocês está ai; lendo isso e ainda reclamando do frio que está sentindo!
Fique tranquilo, pois caso você acredite que o frio não é psicológico, lembre que podem ter pessoas sofrendo muito mais com esse frio, e repito, não nos cabe julgar os motivos de cada uma dessas pessoas.
Ubirajara (Bira), meu pai, amigo, professor, parceiro de sons, que tive imenso prazer de poder tê-lo em minha vida, todo ano faz e entrega um sopão para esses moradores de rua e muitas pessoas tem o prazer de poder contribuir com esse processo, tanto com doações de ingredientes, como com a produção da sopa. Decidem incomodar-se com essa realidade, abstendo-se de julgamentos e enfrentam o frio para levar um pouco de calor para essas pessoas tão carentes de muitas coisas, mas principalmente, nessa época do ano, de algo que possa esquentá-las. 
Digo que essas pessoas tem o prazer de poder contribuir, pois esse ano consegui participar da distribuição da sopa e confesso que considero isso uma verdade Formação Humana, estando em contato com uma realidade que não percebemos ou muitas vezes preferimos nem nos incomodar. 
Isso porque nem estou falando das pessoas que não moram na rua, mas mesmo assim sofrem com o frio por não terem condições de terem um lugar minimamente descente para viver, ou sobreviver.
Caso nesse ano você não tenha feito nenhuma doação de roupas, ou uma boa ação, auxiliando em abrigos, ou doando alimentos, o que acha de ficar um pouco incomodado e realizar essa boa ação? Pode acreditar que fazer o bem, faz bem!!!




"Sobre as fotos do sopão: Caros amigos. O objetivo da divulgação de fotos da distribuição do sopão é conseguir mais parceiros para essa ação solidária. Lembrando que todas as fotos que são divulgadas são fotos feitas com o consentimento dos próprios moradores de rua. Não aceitamos, de maneira alguma, qualquer tipo de desrespeito, preconceito e principalmente, que individualidade desses moradores de rua seja violada. Tampouco julgamos os motivos pelos quais os mesmos se encontram nesta situação "NÃO julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7 : 1). Nós simplesmente, com a ajuda e doação de muitas pessoas, fornecemos a sopa e, quando possível, conversamos um pouco com essas pessoas. Não somos santos, nem anjos, nem nada parecido. Somos seres humanos como os moradores de rua. Muito obrigado a todos que estão no ajudando." (Texto público no facebook do Ubirajara).

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Poemando"




Pensar na morte
Pensar na morte, não me faz morrer,
mas pensar na morte pode me auxiliar a viver.
Caminhando por entre a vida e vivendo permeado de morte,
não me dá nenhum suporte!

Trabalhar estudar correr
Dirigir escrever pensar
Conversar compartilhar comer
Brigar amar falar...

Ufaaa.... mais folego....

Chorar defecar rir
Lavar olhar sentir
Jogar banhar discutir
Ganhar perder partir...

E o que a gente leva da vida?

Estar vivo e viver são duas coisas diferentes.
Penso logo existo dirão...
E quem disse que existir é viver?
Podemos existir e estarmos ausentes.

Ausente das experiências,
ausente por medo,
ausente para os parentes,
ausente do verdadeiro enredo.

Distante desse enredo da vida que pode retornar eternamente,
em busca de um além do homem,
talvez alcançado pela solidão.
Dane-se, Deus está morto e você ainda não!

Não deixe o dia te engolir,
não deixe a vida passar,
bem ou mal, certo ou errado.
Esqueça! A vida não é um quadrado.

Pretende viver esteticamente estático?
Deixe de ser tão apático...
Vá... viva...
Movimente o movimento rotineiro deixe do seu modo.
Mude as mudanças mundanas.

Mas pode ficar calmo...
E nem precisa querer contar com a sorte,
afinal se nada der certo, o final de tudo, você já sabe...
É a morte!